"O Mestre na arte da vida faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu lazer, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e a sua religião. Ele dificilmente sabe distinguir um corpo do outro. Ele simplesmente persegue sua visão de excelência em tudo que faz, deixando para os outros a decisão de saber se está trabalhando ou se divertindo. Ele acha que está sempre fazendo as duas coisas simultaneamente". (Texto budista)
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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

UBUNTU - Eu Sou, porque nós somos!





Olá queridos!!!
Há tempos atrás recebi de um amigo querido um texto por email que achei simplesmente, divino. Porém, com a correria do dia-a-dia, vamos deixando de lado algumas coisas, e esse email, acabou ficando para trás. Não que ele não tenha me tocado a alma, pelo contrário. Mas vieram outras prioridades e ele foi esquecido nos ‘lidos’.
Como é de conhecimento de todos, minha profissão e minha paixão é ser PROFESSORA. Na terça-feira (01/02/11), como de costume, convidei as crianças do 4º ano 1 - matutino para fazermos a oração do Pai Nosso antes de iniciarmos as atividades da manhã. Feita a oração e depois de algumas palavras minhas, simplesmente aconteceu um fato que acertou em cheio meu coração. Pedi para que, enquanto aguardassem a aula de artes, as crianças fossem fazendo leitura silenciosa de um texto do livro de Português pois, após a aula de artes eu tomaria a leitura. Ao terminar de fazer esse pedido a elas, uma aluna levantou, agarrou a minha cintura ergueu sua cabeça para mim e disse:

- ‘Professora, queria te dizer muito obrigada.’ –  Eu fiquei ali, sem ação... aff, haja coração nessas horas... rsrsrsrs – Olhei para ela, sorri e perguntei o por quê daquele agradecimento. (Nesse momento a sala estava silenciosa esperando o término da história...). A pequena aluna me respondeu:
- ‘Estou lhe dizendo obrigada, porque se um dia eu me tornar alguém na vida, foi graças à “senhora” e aos seus exemplos... ‘ – Gentemmmm, hajaaaaaaaaa coraçãoooooooo mesmooooooooo... (Essa cena foi presenciada pelos outros 29 alunos do meu 4º ano 1)
Nem preciso dizer que além de tocar a alma, essa cena mudou todo o meu dia e me fez ‘re’ pensar muito de mim. Ao chegar a minha casa lembrei-me do email que mencionei a cima. Dadas às circunstâncias e ao acumulo de atividades e tarefas, tenho adiado muita coisa por falta de tempo, hoje resolvi publicá-lo, pois o ato de minha aluna simplesmente abalou minhas ‘estruturas’, rsrsrsrs.
Segue o texto abaixo, história linda enviada a mim pelo querido amigo Marcel Cervantes de Oliveira.



UBUNTU


A jornalista e filósofa Lia Diskin, no Festival Mundial da Paz, em
Florianópolis (2006), nos presenteou com um caso de uma tribo na África
chamada Ubuntu. Ela contou que um antropólogo estava estudando os usos e
costumes da tribo e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo
transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Sobrava muito
tempo, mas ele não queria catequizar os membros da tribo; então, propôs uma
brincadeira pras crianças, que achou ser inofensiva.

Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, botou tudo num cesto bem
bonito com laço de fita e tudo e colocou debaixo de uma árvore. Aí ele
chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse "já!", elas deveriam
sair correndo até o cesto, e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces
que estavam lá dentro.

As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e
esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse "já!",
instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em
direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces
entre si e a comerem felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou por que elas tinham ido
todas juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim,
comer muito mais doces.

Elas simplesmente responderam: "Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar
feliz se todas as outras estivessem tristes?”

Ele ficou desconcertado! Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo,
e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou
jamais teria proposto uma competição, certo?’

Ubuntu significa: ‘SOU QUEM SOU PORQUE SOMOS TODOS NÓS!’


Com esse belo texto despeço-me, com muita gratidão no coração, em especial aos meus alunos (os que estão comigo esse ano e a todos os que já passaram por mim) e a todos os amigos e colegas de trabalho que sempre me incentivam e me acompanham nessa jornada maravilhosa.
‘Valemos pelo que somos, não pelo que temos...’

Como diz o amigo Marcel: ‘UBUNTU PARA VOCÊS!’
Assistam aos vídeos... são lindos e fofos...







Paz... sempre Paz!!!
Profª Jeana Andréa

terça-feira, 10 de maio de 2011

Divagações de uma Professora...


Queridos amigos e pessoal que acompanha esse espaço, venho compartilhar com vocês um presente lindo que recebi de uma amiga, em uma de minhas redes sociais. Tocou-me a alma profundamente, pois em meu trabalho diário, muitas vezes não percebo e não me dou conta da grandiosidade e do alcance do mesmo. Abracei a carreira de professora com todo o amor e carinho desse mundo. Semeio e rego todos os dias jovens e crianças, preparando-os para transformar esse mundo...

E nessa correria atrelada do tempo-ação não me dou conta de quantas pessoas estão vibrando nessa sintonia. De quantas pessoas estão acompanhando todo esse processo. Não trabalho com máquinas, com coisas, com seres inanimados, ao contrário: LIDO COM GENTE... COM PESSOAS... COM SERES... COM DIVINDADES...

Essa homenagem da querida Larrívia, levou-me a fazer uma reflexão pedagógica e uma reflexão humana: QUE BOM QUE ESCOLHI ESSA PROFISSÃO!!!

Sinto-me extremamente feliz e realizada. E venho humildemente, agradecer aos amigos e as pessoas que acompanham uma trajetória de 13 anos que iniciou num Centro de Educação Infantil. Passou pela EJA (Educação de Jovens e Adultos) desde o Primeiro Segmento (primeira a quarta série) até o segundo segmento (quinta a oitava série). Ainda galgou o SESI Educação – Educação do Trabalhador (todas as disciplinas do ensino médio, aff... a física me desafiou... rsrsrsrsrs). Algum tempinho também, realizando serviços de secretaria e biblioteca. Percorreu todas as séries iniciais do ensino fundamental. E também, a disciplina, que ano que vem, me graduo: Geografia!

Relembrar essa história me faz acreditar cada vez no grande potencial humano que envolve o trabalho de um professor. Recordo-me de cada lugarzinho que pisei... de cada sala de aula, de cada espaço que foi meu e de olhos sedentos por aprender. Mal sabiam que, aprendi muito mais com eles e aprendo todos os dias.

Um lindo filme passa na cabeça... aulas no interior... trabalhar sessenta horas (sim! já fiz essa loucuraaaaaa... rsrsrsrsrs) Acordar durante dois anos, quatro e meia para dar aula em outras cidades... Aff, é muita história para lembrar e compartilhar, que seria capaz de passar um dia e uma noite escrevendo para relatar... E ao final de tudo isso, ver que valeu e que VALE A PENA...

Quem me conhece sabe que sou APAIXONADAAAAA pelo que faço e que todos os dias não acordo para trabalhar: acordo para divertir-me, aprender e plantar sementes do amanhã!

GRATIDÃO ETERNA A TODOS QUE ME INCENTIVAM E VIBRAM COMIGO NESSA VIBE MAJESTOSA E DIVINA QUE É A PROFISSÃO DE PROFESSOR, DE EDUCADOR... Se eu passar, digamos, mais 200 anos fazendo isso, serão mais 200 anos de completo estado de felicidade...

Larrívia, minha querida... obrigada pelo vídeo, obrigada por trazer à tona tantas recordações significativas para mim.

Compartilho com vocês o vídeo, deixando um beijo no coração de cada um.

Paz, sempre Paz...

Prof. Jeana Andréa

"O Mestre na arte da vida faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu lazer, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e a sua religião. Ele dificilmente sabe distinguir um corpo do outro. Ele simplesmente persegue sua visão de excelência em tudo que faz, deixando para os outros a decisão de saber se está trabalhando ou se divertindo. Ele acha que está sempre fazendo as duas coisas simultaneamente".
(Texto budista)

domingo, 27 de março de 2011

Bullying - vencendo preconceitos

Hoje trago um assunto que vem ganhando espaço na mídia mundial. Um assunto delicado e que merece a atenção de todos. Quem me conhece, sabe que não gosto de falar ou mesmo mostrar coisas tristes e violentas, pois, sou contra todo e qualquer tipo de violência e indelicadeza. Mas, infelizmente, elas existem e precisam ser discutidas para que, possam ser evitadas ou tiradas de foco.

Recebi dia desses, um vídeo gravado em uma escola da Austrália e que ganhou preferência na Internet. No youtube, ele já teve milhares de acessos e continua sendo republicado em vários sites. As imagens mostram um menino de boné, Richard Gale, de 12 anos, provocando um colega, Casey Heynes, de 15 anos. Ele dá socos no garoto mais velho, até que Cassey resolve revidar e jogo o menino no chão. Em entrevistas a jornais australianos, Casey disse que sofria ‘bullying’ desde os oito anos de idade e que se cansou. Richard disse que foi agredido primeiro.

As imagens geraram discussões no mundo todo sobre o ‘bullying’ que, define repetidas agressões físicas ou morais a uma pessoa. No Brasil, uma pesquisa do IBGE mostra que 31% dos brasileiros já foram vítimas de tais agressões.

Cenas virtuais, como essa parecem cenas de filme ou parecem estar apenas do outro lado do mundo, mas podem estar bem mais perto do que imaginamos. Para tanto é de suma importância que, nós educadores, estejamos atentados para isso e os pais estejam em constante alerta também. A grande preocupação é que, esse seja um dos fatores da evasão escolar, já que as vítimas costumam enfrentar problemas sérios na escola. No início, alunos que sofrem algum tipo de agressão ou humilhação freqüente por parte de colegas, procuram pretextos para faltar às aulas, e depois acabam por desistir de estudar.

Especialistas também demonstram grande preocupação com as vítimas e as consequências do ‘bullying’. Os sintomas variam de alterações de sono, dores de cabeça e isolamento até depressão, pânico e tentativas de suicídio. Para os pais, o alerta pode surgir a partir de hábitos de resistência do filho para ir à escola, insegurança dentro do ambiente escolar ou mau rendimento nos estudos.

Os especialistas chamam ainda a atenção para o alto índice de suicídio de vítimas dessa prática horrorosa já que, as crianças frequentemente sofrem altos níveis de estresse, ansiedade e depressão. Eles observam ainda que, algumas vítimas, como forma de alto defesa, podem adotar comportamento antissocial ou deliquente. Já, os agressores podem levar suas práticas de constrangimento ao extremo, podendo chegar inclusive à agressão física.

A palavra ‘bullying’ é um termo de idioma inglês, é de difícil tradução e não dispões de significado na língua portuguesa que, demonstre claramente um sentido exato. A palavra é originada de ‘bully’que, significa ‘valentão’, ‘brigão’e, vem sendo utilizada para caracterizar a violência ‘comum’ nas interações entre pares, ocorrendo principalmente entre crianças e adolescentes em atividade escolar. Essa violência consiste em agressões físicas e/ou psicológicas, realizadas de forma repetida, intencional e sem motivação, assemelhando-se com uma espécie de tirania, na qual as vítimas normalmente são mais frágeis e menos influentes que seus agressores. Não é caracterizado ‘bullying’ a briga eventual e práticas isoladas de violência.

No final do ano passado, assisti ao filme ‘Bullying’e confesso a vocês que, não consegui assistir a mais de trinta minutos de filme... Olho ele aqui na minha estante e chego a ter repulsa em sequer imaginar que exista isso dentro de nossa sociedade. Por isso faço um apelo como pessoa Jeana Andréa e como prof. Jeana Andréa: tentemos de todos os modos combater isso em nosso meio. Prestemos mais atenção aos nossos alunos e filhos e no comportamento deles. Falo isso embasada no livro ‘Mentes Perigosas – O psicopata mora ao lado’, da escritora Ana Beatriz Barbosa Silva, o qual li e confesso que fiquie espantada em perceber como a mente humana pode chegar a maldades inconcebíveis e intolerantes.

Senhores pais e educadores, atentemos para o fato que esses jovens que praticam ‘bullying’ hoje, possam ser os psicopatas, bandidos, marginais, sociopatas, etc do amanhã. E somente com a ampla divulgação, discussão, tomada de consciência e procedimentos atitudinais, poderemos extirpar ou delimitar o campo de atuação desse sujeito. E, jamais nos esqueçamos de que são com exemplos, com os nossos exemplos que as crianças e jovens crescem, pois:

‘Se uma criança vive com criticismo, ela aprende a condenar.

Se uma criança vive com hostilidade, ela aprende a agredir.

Se uma criança vive com medo, ela aprende a ser apreensiva.

Se uma criança vive com piedade, ela aprende a sentir pena de si mesma.

Se uma criança vive sendo ridicularizada, ela aprende a ser tímida.

Se uma criança vive com a inveja, ela aprende o que é o ciúme.

Se uma criança vive com vergonha, ela aprende a se sentir culpada.

Se uma criança vive com incentivo, ela aprende a ser confiante.

Se uma criança vive com tolerância, ela aprende a ser paciente.

Se uma criança vive com elogios, ela aprende a apreciar.

Se uma criança vive com aceitação, ela aprende a amar.

Se uma criança vive com aprovação, ela aprende a gostar de si mesma.

Se uma criança vive com reconhecimento, ela aprende que é bom ter um objetivo.

Se uma criança vive com colaboração, ela aprende sobre a generosidade.

Se uma criança vive com a honestidade e lealdade, ela aprende o que é a verdade e a justiça.

Se uma criança vive com segurança, ela aprende a ter fé em si mesma e nos outros ao seu redor.

Se uma criança vive com amizade, ela aprende que o mundo é um bom lugar para se viver.

Se uma criança vive com serenidade, ela aprende a ter paz de espírito. ’(desconheço o autor)

Vitor Hugo tem uma frase que gosto muito e é com ela que encerro esse texto, deixando um beijo grande no coração de cada um, pedindo que, sempre procuremos proliferar a Paz de todas as formas possíveis e concebíveis, pois só através dela, conseguiremos construir uma sociedade mais JUSTA e HUMANA à nossas crianças e jovens. Assistam aos vídeos abaixo, são bárbaros... rsrsrs e muito explicativos.

‘Aquele que abre uma escola, fecha uma prisão.’ (Vitor Hugo) - 'é aí que sempre me refiro!!!' :)





sábado, 26 de fevereiro de 2011

‘RECEITA PRA SE COMER QUEIJO’



Olá, meus queridos... hoje gostaria de compartilhar com vocês um lindo texto do grande educador, escritor e psicanalista Rubem Alves.

Relendo, dia desses, seu livro intitulado: ‘O desejo de ensinar e a arte de aprender’ não resisti em compartilhar com os caros amigos, alunos e colegas professores o texto ‘Receita pra se comer queijo’ que encontra-se nesse fascinante livro.

Espero que vocês se encantem da mesma forma que me encanto, toda vez que o leio!


‘RECEITA PRA SE COMER QUEIJO’

A Adélia Prado me ensina pedagogia. Diz ela: “Não quero faca nem queijo; quero é fome”. O comer não começa com o queijo. O comer começa na fome de comer queijo. Se não tenho fome é inútil ter queijo. Mas se tenho fome de queijo e não tenho queijo, eu dou um jeito de arranjar um queijo...

Sugeri, faz muitos anos, que para se entrar numa escola alunos e professores deveriam passar por uma cozinha. Os cozinheiros bem que podem dar lições aos professores. Foi na cozinha que a Babette e a Tita realizaram suas feitiçarias... Se vocês, por acaso, ainda não as conhecem, tratem de conhecê-las: a Babette, no filme “ A festa de Babette” e a Tita no filme “ Como água para chocolate”. Babette e Tita, feiticeiras, sabiam que os banquetes não se iniciam com a comida que se serve. Eles se iniciam com a fome. A verdadeira cozinheira é aquela que sabe a arte de produzir fome...

Quando vivi nos Estados Unidos minha família e eu visitávamos, vez por outra, uma parenta distante, nascida na Alemanha. Seus hábitos germânicos eram rígidos e implacáveis. Não admitia que uma criança se recusasse a comer a comida que era servida Meus dois filhos, meninos, movidos pelo medo, comiam em silêncio. Mas eu me lembro de uma vez em que, voltando para casa, foi preciso parar o caro para que vomitassem. Sem fome o corpo se recusa a comer. Forçado, ele vomita.

Toda experiência de aprendizagem se inicia com uma experiência afetiva. É a fome que põe em funcionamento o aparelho pensador. Fome é afeto. O pensamento nasce do afeto, nasce da fome. Não confundir afeto com beijinhos e carinhos. Afeto, do Latim “affetare”, quer dizer “ir trás”. O “afeto” é o movimento da alma na busca do objeto de sua fome. É o “eros” platônico, a fome que faz a alma voar em busca do fruto sonhado.

Eu era menino. Ao lado da pequena casa onde eu morava havia uma casa com um pomar enorme que eu devorava com os olhos, olhando sobre o muro. Pois aconteceu que uma árvore cujos galhos chegavam a dois metros do muro se cobriu de frutinhas que eu não conhecia. Eram pequenas, redondas, vermelhas, brilhantes. A simples visão daquelas frutinhas vermelhas provocou o meu desejo. Eu queria comê-las. E foi então que, provocada pelo meu desejo, minha máquina de pensar se pôs a funcionar. Anote isso: o pensamento é a ponte que o corpo constroi a fim de chegar ao objeto do seu desejo.

Se eu não tivesse visto e desejado as ditas frutinhas minha máquina de pensar teria permanecido parada Imagine que a vizinha, ao ver os meus olhos desejantes sobre o muro, com dó de mim me tivesse dado um punhado das ditas frutinhas, pitangas. Nesse caso também minha máquina de pensar não teria funcionado. Meu desejo teria se realizado por meio de um atalho sem que eu tivesse tido necessidade de pensar. Anote isso: se o desejo for satisfeito a máquina de pensar não pensa. Assim, realizando-se o desejo, o pensamento não acontece. A maneira mais fácil de abortar o pensamento é realizando o desejo. Esse é o pecado de muitos pais e professores que ensinam as respostas antes que tivesse havido perguntas.

Provocada pelo meu desejo minha máquina de pensar me fez uma primeira sugestão, criminosa. “Pule o muro à noite e roube as pitangas.” Furto, fruto, tão próximos... Sim, de fato era uma solução racional. O furto me levaria ao fruto desejado. Mas havia um senão: o medo. E se eu fosse pilhado no momento do meu furto? Assim, rejeitei o pensamento criminoso, pelo seu perigo. Mas o desejo continuou e minha máquina de pensar tratou de encontrar outra solução: “ Construa uma maquineta de roubar pitangas”. McLuhan nos ensinou que todos os meios técnicos são extensões do corpo. Bicicletas são extensões das pernas, óculos são extensões dos olhos, facas são extensões das unhas. Uma maquineta de roubar pitangas teria de ser uma extensão do braço. Um braço comprido, com cerca de dois metros. Peguei um pedaço de bambu. Mas um braço comprido de bambu sem uma mão seria inútil: as pitangas cairiam. Achei uma lata de massa de tomates vazia. Amarrei-a com um arame na ponta do bambu. E lhe fiz um dente, que funcionasse como um dedo que segura. Feita a minha máquina apanhei todas as pitangas que quis e satisfiz meu desejo. Anote isso: conhecimentos são extensões do corpo para a realização do desejo.

Imagine agora que eu, mudando-me para um apartamento no Rio de Janeiro, tivesse a idéia de ensinar ao menino meu vizinho a arte de fabricar maquinetas de roubas pitangas. Ele me olharia com desinteresse e pensaria que eu estava louco. No prédio não havia pitangas para serem roubadas. A cabeça não pensa aquilo que o coração não pede. Anote isso: conhecimentos que não são nascidos do desejo são como uma maravilhosa cozinha na casa de um homem que sofre de anorexia. Homem sem fome: o fogão nunca será aceso. O banquete nunca será servido. Dizia Miguel de Unamuno: “Saber por saber: isso é inhumano...” A tarefa do professor é a mesma da cozinheira: antes de dar faca e queijo ao aluno, provocar a fome... Se ele tiver fome mesmo que não haja queijo ele acabará por fazer uma maquineta de roubar queijos. Toda tese acadêmica deveria ser isso: uma maquineta de roubar o objeto que se deseja... (Extraído do livro: ‘O desejo de ensinar e a arte de aprender’, p. 19-23)


Lindo né? Deixo ai minha dica, não somente aos colegas professoras, mas aos pais, responsáveis... enfim, todas as pessoas ‘ditas adultas’ da sociedade. Vamos mostrar um mundo diferente aos nossos jovens e crianças, afinal eles são nossa extensão... eles vão assumir essa sociedade daqui a alguns anos... Vamos dar a ‘fome’ a eles?

Paulo Freire já dizia de si mesmo: ‘Sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino’.

‘’NÃO QUERO FACA NEM QUEIJO; QUERO É FOME’. Acredito ser isso, que nossas crianças e jovens nos ‘gritam’ todos os dias...

Grande Adélia Prado, grande Rubem Alves, grande Paulo Freire...

Grande Jesus Cristo, o Maior dos Mestres, e seu ensinamento: ‘Ensine a pescar’...

Como diz o queridíssimo amigo Rui Pamela: ‘Pausa para reflexão’... rsrsrs

BjOo grande, PAZ sempre...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Podemos Fazer a Diferença...

Queridos amigos, o texto que trago hoje, nos faz refletir sobre nosso verdadeiro papel de educadores, comprometidos com a construção de um mundo melhor e mais justo.

Temos em mãos, todos os dias, um importante trabalho, uma importante missão: fazer nossos jovens melhores! Costumo dizer que, de nada valerá altas tecnologias e avanços da medicina e da ciência, senão soubermos tocar o coração humano... Trabalhar a educação do toque, da sensibilidade. Ou como sugere Augusto Cury, ‘precisamos formar jovens que tenham uma emoção rica, protegida e íntegra’ (Pais brilhantes, professores fascinantes, p. 67)

Conheci esse texto, quando trabalhava no município de São Bento do Su/SC, no ano de 2005, em uma Reunião Pedagógica. Nunca mais o esqueci e ele ressoa até hoje em minha alma, por isso gostaria de compartilhar com vocês.

Espero que gostem...

‘ENSINA A CRIANÇA O CAMINHO QUE DEVE ANDAR E, AINDA, QUANDO FOR VELHO, NÃO SE DESVIARÁ DELE’ (Provérbio, 22:6)


PODEMOS FAZER A DIFERENÇA

(Autor desconhecido)

Relata a Sra. Teresa, que no seu primeiro dia de aula, parou em frente aos seus alunos da 5ª série e, como todos os demais professores, lhes disse que gostava de todos por igual. No entanto, ela sabia que isto era quase impossível, já que, na primeira fila, estava sentado um pequeno garoto chamado “Ricardo...”

Morava em pequeno vilarejo na zona rural e a professora havia observado que ele não se dava bem com os colegas de classe e, muitas vezes, suas roupas estavam sujas e cheiravam mal. Houve até momentos em que ela sentia prazer em lhe dar notas vermelhas ao corrigir suas provas e trabalhos...


Ao iniciar o ano letivo, era solicitado a cada professor, que lesse, com atenção, a ficha escolar dos alunos, para tomar conhecimento das anotações. Ela deixou a ficha de Ricardo por último. Mas quando a leu, foi grande a sua surpresa...

Ficha do 1º ano: “Ricardo é um menino brilhante e simpático. Seus trabalhos sempre estão em ordem e muito nítidos. Tem bons modos e é muito agradável estar perto dele...”


Ficha do 2º ano: “Ricardo é um aluno excelente e muito querido por seus colegas, mas tem estado preocupado com sua mãe, que está com uma doença grave e desenganada pelos médicos. A vida em seu lar deve estar sendo muito difícil...”


Ficha do 3º ano: “A morte de sua mãe foi um golpe muito duro para Ricardo. Ele procura fazer o melhor, mas seu pai não tem nenhum interesse e logo sua vida será prejudicada, se ninguém tomar providências para ajudá-lo...”


Ficha do 4º ano: “Ricardo anda muito distraído e não mostra interesse algum pelos estudos. Tem poucos amigos e muitas vezes dorme na sala de aula...”


Deu-se conta do problema e ficou terrivelmente envergonhada. Piorou, quando lembrou dos lindos presentes de Natal, que os alunos lhe haviam dado, com papéis coloridos, exceto o de Ricardo, que estava enrolado num papel de supermercado...

Lembrou que abriu o pacote com tristeza, enquanto os outros garotos riam ao ver uma pulseira faltando algumas pedras e um vidro de perfume pela metade...

Apesar das piadas, ela disse que o presente era precioso e pôs a pulseira no braço e um pouco de perfume sobre a mão. Naquele dia, Ricardo ficou um pouco mais tempo na escola que o de costume. Relembra, ainda, que ele lhe disse que ela estava cheirosa como sua mãe...


Nesse mesmo dia, depois que todos se foram, a professora chorou por longo tempo. Em seguida, decidiu mudar sua maneira de ensinar e passou a dar mais atenção aos seus alunos, especialmente a Ricardo...

Seis anos depois, recebeu uma carta de Ricardo, contando que havia concluído o segundo grau e que ela continuava sendo a melhor professora da vida dele...

As notícias se repetiram, até que, um dia, ela recebeu uma carta assinada pelo Dr. Ricardo Stoddard, seu antigo aluno, mais conhecido como Ricardo...

Tempos depois, recebeu o convite de casamento e, nesse dia, ela usou a pulseira e o perfume, que ganhou de Ricardo, anos antes...

Quando os dois se encontraram, abraçaram-se por longo tempo e Ricardo lhe disse ao ouvido: “Obrigado por acreditar em mim e me fazer sentir importante, demonstrando-me que posso fazer a diferença...”

E com os olhos banhados em lágrimas sussurrou: “Engano seu....! Depois que o conheci, aprendi a lecionar e a ouvir os apelos silenciosos que ecoam na alma daquelas crianças. Mais do que avaliar as provas e dar notas, o importante é ensinar com amor, mostrando que, sempre, é possível fazer a diferença...”

E você...

Tem feito algo pelo próximo e respeitado seus limites?

Tem auxiliado suas angustias e dificuldades?

Tem partilhado o peso de sua cruz?

Ou será que tem se limitado a rotular, julgar e criticar?

‘É, justamente aí, que me refiro...’

Abraços, sempre Paz!


sábado, 5 de fevereiro de 2011

A História da Grande Torre





Hoje gostaria de compartilhar com vocês, um texto que acho fascinante e, mostra o valor verdadeiro do papel de EDUCADOR.
Intitulado ‘A HISTÓRIA DA GRANDE TORRE’, foi escrita por Augusto Cury.

Augusto Jorge Cury é médico psiquiatra, psicoterapeuta e cientista brasileiro. Autor de vários livros de sucesso no Brasil, além de estudioso sobre as dinâmicas da emoção e da construção do pensamento.
Seus livros já venderam mais de 12 milhões de exemplares somente no Brasil, tendo sido publicados em mais de 50 países. Foi considerado pelo jornal Folha de São Paulo o autor brasileiro mais lido da década.

Eu mesma já tive o privilégio de assisti-lo em dois seminários, oportunidade em que adquiri alguns livros seus e é de um desses livros que tirei a história que descrevo abaixo:


A História da Grande Torre

Num tempo não muito distante do nosso, a humanidade ficou tão caótica que os homens fizeram um grande concurso. Eles queriam saber qual a profissão mais importante da sociedade. Os organizadores do evento construíram uma grande torre dentro de um enorme estádio com degraus de ouro, cravejados de pedras preciosas. A torre era belíssima. Chamaram a imprensa mundial, a TV, os jornais, as revistas e as rádios para realizarem a cobertura.

O mundo estava plugado no evento. No estádio, pessoas de todas as classes sociais se espremiam para ver a disputa de perto. As regras eram as seguintes: cada profissão era representada por um ilustre orador. O orador deveria subir rapidamente num degrau da torre e fazer um discurso eloqüente e convincente sobre os motivos pelos quais sua profissão era a mais importante da sociedade moderna. O orador tinha de permanecer na torre até o final da disputa. A votação era mundial e pela Internet.

Nações e grandes empresas patrocinavam a disputa. A categoria vencedora receberia prestígio social, uma grande soma em dinheiro e subsídios do governo. Estabelecidas as regras, a disputa começou. O mediador do concurso bradou: “O espaço está aberto!”
Sabem quem subiu primeiro na torre? Os educadores? Não! O representante da minha classe, a dos psiquiatras.

Ele subiu na torre e a plenos pulmões proclamou: “As sociedades modernas se tornarão uma fábrica de estresse. A depressão e a ansiedade são as doenças do século. As pessoas perderam o encanto pela existência. Muitas desistem de viver. A indústria dos antidepressivos e dos tranqüilizantes se tornou a mais importante do mundo”. Em seguida, o orador fez uma pausa. O público, pasmo, ouvia atentamente seus argumentos contundentes.

O representante dos psiquiatras concluiu: “O normal é ter conflitos, e o anormal é ser saudável. O que seria da humanidade sem os psiquiatras? Um albergue de seres humanos sem qualidade de vida! Por vivermos numa sociedade doentia, declaro que somos, juntamente com os psicólogos clínicos, os profissionais mais importantes da sociedade!”

No estádio reinou um silêncio. Muitos na platéia olharam para si mesmos e perceberam que não eram alegres, estavam estressados, dormiam mal, acordavam cansados, tinham uma mente agitada, dores de cabeça. Milhões de espectadores ficaram com a voz embargada. Os psiquiatras pareciam imbatíveis.

Em seguida, o mediador bradou: “O espaço está aberto!” Sabem quem subiu depois? Os professores? Não! O representante dos magistrados - os juízes de direito.

Ele subiu num degrau mais alto e num gesto de ousadia desferiu palavras que abalaram os ouvintes: “Observem os índices de violência! Eles não param de aumentar. Os seqüestros, assaltos e a violência no trânsito enchem as páginas dos jornais. A agressividade nas escolas, os maus-tratos infantis, a discriminação racial e social fazem parte da nossa rotina. Os homens amam seus direitos e desprezam seus deveres”.

Os ouvintes menearam a cabeça, concordando com os argumentos. Em seguida, o representante dos magistrados foi mais contundente: “O tráfico de drogas movimenta tanto o dinheiro como o petróleo. Não há como extirpar o crime organizado. Se vocês querem segurança, aprisionem-se dentro de suas casas, pois a liberdade pertence aos criminosos. Sem os juízes e os promotores, a sociedade se esfacela. Por isso, declaro, com o apoio dos promotores e do aparelho policial, que representamos a classe mais importante da sociedade”.

Todos engoliram em seco essas palavras. Elas perturbavam os ouvidos e queimavam na alma. Mas pareciam incontestáveis. Outro momento de silêncio, agora mais prolongado. Em seguida, o mediador, já suando frio, disse: “O espaço está novamente aberto!”

Outro representante mais intrépido subiu num degrau mais alto da torre. Sabem quem foi desta vez? Os educadores? Não!

Foi o representante das forças armadas. Com uma voz vibrante e sem delongas, ele discursou: “Os homens desprezam o valor da vida. Eles se matam por muito pouco. O terrorismo elimina milhares de pessoas. A guerra comercial mata milhões de fome. A espécie humana se esfacelou em dezenas de tribos. As nações só se respeitam pela economia e pelas armas que possuem. Quem quiser a paz tem de se preparar para a guerra. Os poderes econômico e bélico, e não o diálogo, são os fatores de equilíbrio num mundo espúrio”.

Suas palavras chocaram os ouvintes, mas eram inquestionáveis. Em seguida, ele concluiu: “Sem as forças armadas, não haveria segurança. O sono seria um pesadelo. Por isso, declaro, quer se aceite ou não, que os homens das forças armadas não são apenas a classe profissional mais importante, mas também a mais poderosa”. A alma dos ouvintes gelou. Todos ficaram atônitos.

Os argumentos dos três oradores eram fortíssimos. A sociedade tinha se tornado um caos. As pessoas do mundo todo, perplexas, não sabiam qual atitude tomar: se aclamavam um orador, ou se choravam pela crise da espécie humana, que não honrou sua capacidade de pensar.

Ninguém mais ousou subir na torre. Em quem votariam?

Quando todos pensavam que a disputa havia se encerrado, ouviu-se uma conversa no sopé da torre. De quem se tratava? Desta vez eram os professores. Havia um grupo deles da pré-escola, do ensino fundamental, do médio e do universitário. Eles estavam encostados na torre dialogando com um grupo de pais. Ninguém sabia o que estavam fazendo. A TV os focalizou e projetou num telão. O mediador gritou para um deles subir na torre. Eles se recusaram.

O mediador os provocou: “Sempre há covardes numa disputa”. Houve risos no estádio. Fizeram chacota dos professores e dos pais.

Quando todos pensavam que eles eram frágeis, os professores, com o incentivo dos pais, começaram a debater as idéias, permanecendo no mesmo lugar. Todos se faziam representar.

Um dos professores, olhando para o alto, disse para o representante dos psiquiatras: “Nós não queremos ser mais importantes do que vocês. Apenas queremos ter condições para educar a emoção dos nossos alunos, formar jovens livres e felizes, para que eles não adoeçam e sejam tratados por vocês”. O representante dos psiquiatras recebeu um golpe na alma.

Em seguida, outro professor que estava no lado direito da torre olhou para o representante dos magistrados e disse: “Jamais tivemos a pretensão de ser mais importantes do que os juízes. Desejamos apenas ter condições para lapidar a inteligência dos nossos jovens, fazendo-os amar a arte de pensar e aprender a grandeza dos direitos e dos deveres humanos. Assim, esperamos que jamais se sentem num banco dos réus”. O representante dos magistrados tremeu na torre.

Uma professora do lado esquerdo da torre, aparentemente tímida, encarou o representante das forças armadas e falou poeticamente: “Os professores do mundo todo nunca desejaram ser mais poderosos nem mais importantes do que os membros das forças armadas. Desejamos apenas ser importantes no coração das nossas crianças. Almejamos levá-las a compreender que cada ser humano não é mais um número na multidão, mas um ser insubstituível, um ator único no teatro da existência”.

A professora fez uma pausa e completou: “Assim, eles se apaixonarão pela vida, e, quando estiverem no controle da sociedade, jamais farão guerras, sejam guerras físicas que retiram o sangue, sejam as comerciais que retiram o pão. Pois cremos que os fracos usam a força, mas os fortes usam o diálogo para resolver seus conflitos. Cremos ainda que a vida é obra-prima de Deus, um espetáculo que jamais deve ser interrompido pela violência humana”.

Os pais deliraram de alegria com essas palavras. Mas o representante do judiciário quase caiu da torre.

Não se ouvia um zumbido na platéia. O mundo ficou perplexo. As pessoas não imaginavam que os simples professores que viviam no pequeno mundo das salas de aula fossem tão sábios. O discurso dos professores abalou os líderes do evento.

Vendo ameaçado o êxito da disputa, o mediador do evento disse arrogantemente: “Sonhadores! Vocês vivem fora da realidade!”. Um professor destemido bradou com sensibilidade: “Se deixarmos de sonhar, morreremos!”

Sentindo-se questionado, o organizador do evento pegou o microfone e foi mais longe na intenção de ferir os professores: “Quem se importa com os professores na atualidade? Comparem-se com outras profissões. Vocês não participam das mais importantes reuniões políticas. A imprensa raramente os noticia. A sociedade pouco se importa com a escola. Olhem para o salário que vocês recebem no final do mês!” Uma professora fitou-o e disse-lhe com segurança: “Não trabalhamos apenas pelo salário, mas pelo amor dos seus filhos e de todos os jovens do mundo”.

Irado, o líder do evento gritou: “Sua profissão será extinta nas sociedades modernas. Os computadores os estão substituindo! Vocês são indignos de estar nesta disputa”.

A platéia, manipulada, mudou de lado. Condenaram os professores. Exaltaram a educação virtual. Gritaram em coro: “Computadores! Computadores! Fim dos professores!”. O estádio entrou em delírio repetindo esta frase. Sepultaram os mestres. Os professores nunca haviam sido tão humilhados. Golpeados por essas palavras resolveram abandonar a torre. Sabem o que aconteceu?

A torre desabou. Ninguém imaginava, mas eram os professores e os pais que estavam segurando a torre. A cena foi chocante. Os oradores foram hospitalizados. Os professores tomaram então outra atitude inimaginável: abandonaram, pela primeira vez, as salas de aula.

Tentaram substituí-los por computadores, dando uma máquina para cada aluno. Usaram as melhores técnicas de multimídia. Sabem o que ocorreu?

A sociedade desabou. As injustiças e as misérias da alma aumentaram mais ainda. A dor e as lágrimas se expandiram. O cárcere da depressão, do medo e da ansiedade atingiu grande parte da população. A violência e os crimes se multiplicaram. A convivência humana, que já estava difícil, ficou intolerável. A espécie humana gemeu de dor. Corria o risco de não sobreviver...

Estarrecidos, todos entenderam que os computadores não conseguiam ensinar a sabedoria, a solidariedade e o amor pela vida. O público nunca pensara que os professores fossem os alicerces das profissões e o sustentáculo do que é mais lúcido e inteligente entre nós. Descobriu-se que o pouco de luz que entrava na sociedade vinha do coração dos professores e dos pais que arduamente educavam seus filhos.

Todos entenderam que a sociedade vivia uma longa e nebulosa noite. A ciência, a política e o dinheiro não conseguiam superá-la. Perceberam que a esperança de um belo amanhecer repousa sobre cada pai, cada mãe e cada professor, e não sobre os psiquiatras, o judiciário, os militares, a imprensa...

Não importa se os pais moram num palácio ou numa favela, e se os professores dão aulas numa escola suntuosa ou pobre - eles são a esperança do mundo.

Diante disso, os políticos, os representantes das classes profissionais e os empresários fizeram uma reunião com os professores em cada cidade de cada nação. Reconheceram que tinham cometido um crime contra a educação. Pediram desculpas e rogaram para que eles não abandonassem seus filhos.

Em seguida, fizeram uma grande promessa. Afirmaram que a metade do orçamento que gastavam com armas, com o aparato policial e com a indústria dos tranqüilizantes e dos antidepressivos seria investida na educação. Prometeram resgatar a dignidade dos professores, e dar condições para que cada criança da Terra fosse nutrida com alimentos no seu corpo e com o conhecimento na sua alma. Nenhuma delas ficaria mais sem escola.

Os professores choraram. Ficaram comovidos com tal promessa. Há séculos eles esperavam que a sociedade acordasse para o drama da educação. Infelizmente, a sociedade só acordou quando as misérias sociais atingiram patamares insuportáveis.

Mas, como sempre trabalharam como heróis anônimos e sempre foram apaixonados por cada criança, cada adolescente e cada jovem, os professores resolveram voltar para a sala de aula e ensinar cada aluno a navegar nas águas da emoção.

Pela primeira vez, a sociedade colocou a educação no centro das suas atenções. A luz começou a brilhar depois da longa tempestade... No final de dez anos os resultados apareceram, e depois de vinte anos todos ficaram boquiabertos.

Os jovens não desistiam mais da vida. Não havia mais suicídios. O uso de drogas dissipou-se. Quase não se ouvia falar mais de transtornos psíquicos e de violência. E a discriminação? O que é isso? Ninguém se lembrava mais do seu significado. Os brancos abraçavam afetivamente os negros. As crianças judias dormiam na casa das crianças palestinas. O medo se dissolveu, o terrorismo desapareceu, o amor triunfou.

Os presídios se tornaram museus. Os policiais se tornaram poetas. Os consultórios de psiquiatria se esvaziaram. Os psiquiatras se tornaram escritores. Os juízes se tornaram músicos. Os promotores se tornaram filósofos. E os generais? Descobriram o perfume das flores, aprenderam a sujar suas mãos para cultivá-las.

E os jornais e as TVs do mundo? O que noticiavam o que vendiam? Deixaram de vender mazelas e lágrimas humanas. Vendiam sonhos, anunciavam a esperança...

Quando esta história se tornará realidade? Se todos sonharmos este sonho, um dia ele deixará de ser apenas um sonho.
(CURY, Augusto. Pais brilhantes, professores fascinantes. Rio de Janeiro: Sextante, 2003, pp. 159-167).

Deixo aí uma importante reflexão, nesse momento da história onde a tecnologia ‘se impõe’ aos nossos jovens e crianças... Repensemos sempre o valor do papel do PROFESSOR dentro de uma sociedade civil e organizada.

É aí que me refiro...

Abraços, paz sempre!
Profª Jeana Andréa