"O Mestre na arte da vida faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu lazer, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e a sua religião. Ele dificilmente sabe distinguir um corpo do outro. Ele simplesmente persegue sua visão de excelência em tudo que faz, deixando para os outros a decisão de saber se está trabalhando ou se divertindo. Ele acha que está sempre fazendo as duas coisas simultaneamente". (Texto budista)
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domingo, 27 de março de 2011

Bullying - vencendo preconceitos

Hoje trago um assunto que vem ganhando espaço na mídia mundial. Um assunto delicado e que merece a atenção de todos. Quem me conhece, sabe que não gosto de falar ou mesmo mostrar coisas tristes e violentas, pois, sou contra todo e qualquer tipo de violência e indelicadeza. Mas, infelizmente, elas existem e precisam ser discutidas para que, possam ser evitadas ou tiradas de foco.

Recebi dia desses, um vídeo gravado em uma escola da Austrália e que ganhou preferência na Internet. No youtube, ele já teve milhares de acessos e continua sendo republicado em vários sites. As imagens mostram um menino de boné, Richard Gale, de 12 anos, provocando um colega, Casey Heynes, de 15 anos. Ele dá socos no garoto mais velho, até que Cassey resolve revidar e jogo o menino no chão. Em entrevistas a jornais australianos, Casey disse que sofria ‘bullying’ desde os oito anos de idade e que se cansou. Richard disse que foi agredido primeiro.

As imagens geraram discussões no mundo todo sobre o ‘bullying’ que, define repetidas agressões físicas ou morais a uma pessoa. No Brasil, uma pesquisa do IBGE mostra que 31% dos brasileiros já foram vítimas de tais agressões.

Cenas virtuais, como essa parecem cenas de filme ou parecem estar apenas do outro lado do mundo, mas podem estar bem mais perto do que imaginamos. Para tanto é de suma importância que, nós educadores, estejamos atentados para isso e os pais estejam em constante alerta também. A grande preocupação é que, esse seja um dos fatores da evasão escolar, já que as vítimas costumam enfrentar problemas sérios na escola. No início, alunos que sofrem algum tipo de agressão ou humilhação freqüente por parte de colegas, procuram pretextos para faltar às aulas, e depois acabam por desistir de estudar.

Especialistas também demonstram grande preocupação com as vítimas e as consequências do ‘bullying’. Os sintomas variam de alterações de sono, dores de cabeça e isolamento até depressão, pânico e tentativas de suicídio. Para os pais, o alerta pode surgir a partir de hábitos de resistência do filho para ir à escola, insegurança dentro do ambiente escolar ou mau rendimento nos estudos.

Os especialistas chamam ainda a atenção para o alto índice de suicídio de vítimas dessa prática horrorosa já que, as crianças frequentemente sofrem altos níveis de estresse, ansiedade e depressão. Eles observam ainda que, algumas vítimas, como forma de alto defesa, podem adotar comportamento antissocial ou deliquente. Já, os agressores podem levar suas práticas de constrangimento ao extremo, podendo chegar inclusive à agressão física.

A palavra ‘bullying’ é um termo de idioma inglês, é de difícil tradução e não dispões de significado na língua portuguesa que, demonstre claramente um sentido exato. A palavra é originada de ‘bully’que, significa ‘valentão’, ‘brigão’e, vem sendo utilizada para caracterizar a violência ‘comum’ nas interações entre pares, ocorrendo principalmente entre crianças e adolescentes em atividade escolar. Essa violência consiste em agressões físicas e/ou psicológicas, realizadas de forma repetida, intencional e sem motivação, assemelhando-se com uma espécie de tirania, na qual as vítimas normalmente são mais frágeis e menos influentes que seus agressores. Não é caracterizado ‘bullying’ a briga eventual e práticas isoladas de violência.

No final do ano passado, assisti ao filme ‘Bullying’e confesso a vocês que, não consegui assistir a mais de trinta minutos de filme... Olho ele aqui na minha estante e chego a ter repulsa em sequer imaginar que exista isso dentro de nossa sociedade. Por isso faço um apelo como pessoa Jeana Andréa e como prof. Jeana Andréa: tentemos de todos os modos combater isso em nosso meio. Prestemos mais atenção aos nossos alunos e filhos e no comportamento deles. Falo isso embasada no livro ‘Mentes Perigosas – O psicopata mora ao lado’, da escritora Ana Beatriz Barbosa Silva, o qual li e confesso que fiquie espantada em perceber como a mente humana pode chegar a maldades inconcebíveis e intolerantes.

Senhores pais e educadores, atentemos para o fato que esses jovens que praticam ‘bullying’ hoje, possam ser os psicopatas, bandidos, marginais, sociopatas, etc do amanhã. E somente com a ampla divulgação, discussão, tomada de consciência e procedimentos atitudinais, poderemos extirpar ou delimitar o campo de atuação desse sujeito. E, jamais nos esqueçamos de que são com exemplos, com os nossos exemplos que as crianças e jovens crescem, pois:

‘Se uma criança vive com criticismo, ela aprende a condenar.

Se uma criança vive com hostilidade, ela aprende a agredir.

Se uma criança vive com medo, ela aprende a ser apreensiva.

Se uma criança vive com piedade, ela aprende a sentir pena de si mesma.

Se uma criança vive sendo ridicularizada, ela aprende a ser tímida.

Se uma criança vive com a inveja, ela aprende o que é o ciúme.

Se uma criança vive com vergonha, ela aprende a se sentir culpada.

Se uma criança vive com incentivo, ela aprende a ser confiante.

Se uma criança vive com tolerância, ela aprende a ser paciente.

Se uma criança vive com elogios, ela aprende a apreciar.

Se uma criança vive com aceitação, ela aprende a amar.

Se uma criança vive com aprovação, ela aprende a gostar de si mesma.

Se uma criança vive com reconhecimento, ela aprende que é bom ter um objetivo.

Se uma criança vive com colaboração, ela aprende sobre a generosidade.

Se uma criança vive com a honestidade e lealdade, ela aprende o que é a verdade e a justiça.

Se uma criança vive com segurança, ela aprende a ter fé em si mesma e nos outros ao seu redor.

Se uma criança vive com amizade, ela aprende que o mundo é um bom lugar para se viver.

Se uma criança vive com serenidade, ela aprende a ter paz de espírito. ’(desconheço o autor)

Vitor Hugo tem uma frase que gosto muito e é com ela que encerro esse texto, deixando um beijo grande no coração de cada um, pedindo que, sempre procuremos proliferar a Paz de todas as formas possíveis e concebíveis, pois só através dela, conseguiremos construir uma sociedade mais JUSTA e HUMANA à nossas crianças e jovens. Assistam aos vídeos abaixo, são bárbaros... rsrsrs e muito explicativos.

‘Aquele que abre uma escola, fecha uma prisão.’ (Vitor Hugo) - 'é aí que sempre me refiro!!!' :)





sábado, 26 de fevereiro de 2011

‘RECEITA PRA SE COMER QUEIJO’



Olá, meus queridos... hoje gostaria de compartilhar com vocês um lindo texto do grande educador, escritor e psicanalista Rubem Alves.

Relendo, dia desses, seu livro intitulado: ‘O desejo de ensinar e a arte de aprender’ não resisti em compartilhar com os caros amigos, alunos e colegas professores o texto ‘Receita pra se comer queijo’ que encontra-se nesse fascinante livro.

Espero que vocês se encantem da mesma forma que me encanto, toda vez que o leio!


‘RECEITA PRA SE COMER QUEIJO’

A Adélia Prado me ensina pedagogia. Diz ela: “Não quero faca nem queijo; quero é fome”. O comer não começa com o queijo. O comer começa na fome de comer queijo. Se não tenho fome é inútil ter queijo. Mas se tenho fome de queijo e não tenho queijo, eu dou um jeito de arranjar um queijo...

Sugeri, faz muitos anos, que para se entrar numa escola alunos e professores deveriam passar por uma cozinha. Os cozinheiros bem que podem dar lições aos professores. Foi na cozinha que a Babette e a Tita realizaram suas feitiçarias... Se vocês, por acaso, ainda não as conhecem, tratem de conhecê-las: a Babette, no filme “ A festa de Babette” e a Tita no filme “ Como água para chocolate”. Babette e Tita, feiticeiras, sabiam que os banquetes não se iniciam com a comida que se serve. Eles se iniciam com a fome. A verdadeira cozinheira é aquela que sabe a arte de produzir fome...

Quando vivi nos Estados Unidos minha família e eu visitávamos, vez por outra, uma parenta distante, nascida na Alemanha. Seus hábitos germânicos eram rígidos e implacáveis. Não admitia que uma criança se recusasse a comer a comida que era servida Meus dois filhos, meninos, movidos pelo medo, comiam em silêncio. Mas eu me lembro de uma vez em que, voltando para casa, foi preciso parar o caro para que vomitassem. Sem fome o corpo se recusa a comer. Forçado, ele vomita.

Toda experiência de aprendizagem se inicia com uma experiência afetiva. É a fome que põe em funcionamento o aparelho pensador. Fome é afeto. O pensamento nasce do afeto, nasce da fome. Não confundir afeto com beijinhos e carinhos. Afeto, do Latim “affetare”, quer dizer “ir trás”. O “afeto” é o movimento da alma na busca do objeto de sua fome. É o “eros” platônico, a fome que faz a alma voar em busca do fruto sonhado.

Eu era menino. Ao lado da pequena casa onde eu morava havia uma casa com um pomar enorme que eu devorava com os olhos, olhando sobre o muro. Pois aconteceu que uma árvore cujos galhos chegavam a dois metros do muro se cobriu de frutinhas que eu não conhecia. Eram pequenas, redondas, vermelhas, brilhantes. A simples visão daquelas frutinhas vermelhas provocou o meu desejo. Eu queria comê-las. E foi então que, provocada pelo meu desejo, minha máquina de pensar se pôs a funcionar. Anote isso: o pensamento é a ponte que o corpo constroi a fim de chegar ao objeto do seu desejo.

Se eu não tivesse visto e desejado as ditas frutinhas minha máquina de pensar teria permanecido parada Imagine que a vizinha, ao ver os meus olhos desejantes sobre o muro, com dó de mim me tivesse dado um punhado das ditas frutinhas, pitangas. Nesse caso também minha máquina de pensar não teria funcionado. Meu desejo teria se realizado por meio de um atalho sem que eu tivesse tido necessidade de pensar. Anote isso: se o desejo for satisfeito a máquina de pensar não pensa. Assim, realizando-se o desejo, o pensamento não acontece. A maneira mais fácil de abortar o pensamento é realizando o desejo. Esse é o pecado de muitos pais e professores que ensinam as respostas antes que tivesse havido perguntas.

Provocada pelo meu desejo minha máquina de pensar me fez uma primeira sugestão, criminosa. “Pule o muro à noite e roube as pitangas.” Furto, fruto, tão próximos... Sim, de fato era uma solução racional. O furto me levaria ao fruto desejado. Mas havia um senão: o medo. E se eu fosse pilhado no momento do meu furto? Assim, rejeitei o pensamento criminoso, pelo seu perigo. Mas o desejo continuou e minha máquina de pensar tratou de encontrar outra solução: “ Construa uma maquineta de roubar pitangas”. McLuhan nos ensinou que todos os meios técnicos são extensões do corpo. Bicicletas são extensões das pernas, óculos são extensões dos olhos, facas são extensões das unhas. Uma maquineta de roubar pitangas teria de ser uma extensão do braço. Um braço comprido, com cerca de dois metros. Peguei um pedaço de bambu. Mas um braço comprido de bambu sem uma mão seria inútil: as pitangas cairiam. Achei uma lata de massa de tomates vazia. Amarrei-a com um arame na ponta do bambu. E lhe fiz um dente, que funcionasse como um dedo que segura. Feita a minha máquina apanhei todas as pitangas que quis e satisfiz meu desejo. Anote isso: conhecimentos são extensões do corpo para a realização do desejo.

Imagine agora que eu, mudando-me para um apartamento no Rio de Janeiro, tivesse a idéia de ensinar ao menino meu vizinho a arte de fabricar maquinetas de roubas pitangas. Ele me olharia com desinteresse e pensaria que eu estava louco. No prédio não havia pitangas para serem roubadas. A cabeça não pensa aquilo que o coração não pede. Anote isso: conhecimentos que não são nascidos do desejo são como uma maravilhosa cozinha na casa de um homem que sofre de anorexia. Homem sem fome: o fogão nunca será aceso. O banquete nunca será servido. Dizia Miguel de Unamuno: “Saber por saber: isso é inhumano...” A tarefa do professor é a mesma da cozinheira: antes de dar faca e queijo ao aluno, provocar a fome... Se ele tiver fome mesmo que não haja queijo ele acabará por fazer uma maquineta de roubar queijos. Toda tese acadêmica deveria ser isso: uma maquineta de roubar o objeto que se deseja... (Extraído do livro: ‘O desejo de ensinar e a arte de aprender’, p. 19-23)


Lindo né? Deixo ai minha dica, não somente aos colegas professoras, mas aos pais, responsáveis... enfim, todas as pessoas ‘ditas adultas’ da sociedade. Vamos mostrar um mundo diferente aos nossos jovens e crianças, afinal eles são nossa extensão... eles vão assumir essa sociedade daqui a alguns anos... Vamos dar a ‘fome’ a eles?

Paulo Freire já dizia de si mesmo: ‘Sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino’.

‘’NÃO QUERO FACA NEM QUEIJO; QUERO É FOME’. Acredito ser isso, que nossas crianças e jovens nos ‘gritam’ todos os dias...

Grande Adélia Prado, grande Rubem Alves, grande Paulo Freire...

Grande Jesus Cristo, o Maior dos Mestres, e seu ensinamento: ‘Ensine a pescar’...

Como diz o queridíssimo amigo Rui Pamela: ‘Pausa para reflexão’... rsrsrs

BjOo grande, PAZ sempre...