"O Mestre na arte da vida faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu lazer, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e a sua religião. Ele dificilmente sabe distinguir um corpo do outro. Ele simplesmente persegue sua visão de excelência em tudo que faz, deixando para os outros a decisão de saber se está trabalhando ou se divertindo. Ele acha que está sempre fazendo as duas coisas simultaneamente". (Texto budista)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Os Pilares do Conhecimento



Hoje vou abordar um assunto bem conhecido e pertinente no meio educacional:

OS QUATROS PILARES DA EDUCAÇÃO.

O ensino de qualidade que a sociedade demanda hoje exige dos educadores uma postura educativa que se adeque às necessidades culturais, sociais, políticas e econômicas e que priorize o interesse dos educandos, possibilitando dessa forma uma educação para todos e com base e interesses coletivos.

Para delinear a escola necessária, nos dias de hoje, é preciso pensar o homem, a mulher, o presente, o futuro, a função do conhecimento no mundo, principalmente as relações humanas e os valores que regem a consciência do mundo.

A Nova Era surge batizada de diferentes formas: Era do Conhecimento, Era da Comunicação, Era da Informação – indicando, sobretudo a necessidade de uma revisão do papel do Ser Humano. É preciso repensar, ressentir, reagir...

A educação precisa desencadear uma nova caminhada. Porém, não podemos contentar em sermos instrumentos de mera adaptação, faz-se necessário e urgente que desenvolvamos uma visão projetada para o futuro, para que a educação possa ser mais um instrumento de transformação do mundo e das condições humanas.

Para tanto, em 1990 na Tailândia, durante a Conferência Mundial de Educação para todos, a Organização das Nações Unidas para a Educação Ciência e Cultura, UNESCO, reuniu alguns dos maiores pensadores do mundo na Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, coordenada por Jacques Delors, que produziu o relatório "Educação: um tesouro a descobrir" (Delors et al., 1996).

A Comissão destacou Quatro Pilares que são as bases da educação ao longo de toda a vida e que servem de orientação para as instituições de ensino implementarem uma metodologia inovadora baseada no desenvolvimento de competências que privilegia um desenvolvimento integral da pessoa capacitando-a para atuar de forma responsável e eficaz na sociedade.

Jacques Delors, num resumo comentado que fez deste relatório, diz que a Comissão entendeu desde o início que era essencial mudar a idéia que se tem atualmente da educação para uma nova concepção ampliada de educação que “devia fazer com que todos pudessem descobrir, reanimar e fortalecer o seu potencial criativo – revelar o tesouro escondido em cada um de nós”.

Isto supõe que se ultrapasse a visão puramente instrumental da educação, considerada como a via obrigatória para obter certos resultados (saber fazer, aquisição de capacidades diversas, fins de ordem econômica), e se passe a considerá-la em toda sua plenitude: realização da pessoa que, na sua totalidade, aprende a ser.

Delors diz que já não é possível nem adequada uma educação puramente quantitativa com uma bagagem escolar cada vez mais pesada. E que não basta uma acumulação no início da vida de uma quantidade de conhecimentos, mas antes é ‘necessário estar à altura de aproveitar e explorar, do começo ao fim da vida, todas as ocasiões de atualizar, aprofundar e enriquecer estes primeiros conhecimentos, e de se adaptar a um mundo de mudanças’.

A Comissão chefiada por Delors identificou, então, quatro aprendizagens fundamentais, que podemos chamar também de quatro competências, em torno das quais a educação deve organizar-se para poder dar resposta ao conjunto das suas missões, e para que cada indivíduo possa ter uma bagagem que lhe sirva ao longo da vida para o seu sucesso e para o sucesso da sociedade. Esses Pilares são: ‘aprender a conhecer’, isto é adquirir os instrumentos da compreensão; aprender a fazer’, para poder agir sobre o meio envolvente; aprender a viver juntos’, a fim de participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas; finalmente aprender a ser’, via essencial que integra as três precedentes.

Sobre essas quatro aprendizagens fundamentais, a Comissão escreve que aprender para conhecer supõe aprender a aprender, exercitando a atenção, a memória e o pensamento. Enquanto que para aprender a fazer é necessário combinar a qualificação técnica de realizar uma tarefa com o comportamento social, a aptidão para o trabalho em equipa, a capacidade de iniciativa e o gosto pelo risco. Sobre aprender a viver com os outros, a comissão entende que é um dos maiores desafios da educação devido à violência que impera no mundo, principalmente visível no potencial de autodestruição criado pela humanidade no decorrer do século XX. Assim a Comissão propõe duas estratégias para, através da educação, criar nas pessoas o espírito de tolerância, cooperação e de não-violência: a descoberta progressiva do outro e a participação em projetos comuns. Aprender a ser, segundo a Comissão, supõe o desenvolvimento total da pessoa que deve ser preparada principalmente para elaborar pensamentos autônomos e críticos e para formular os seus próprios juízos de valor, de modo a poder decidir, por si mesma, como agir nas diferentes circunstâncias da vida.

Os quatro pilares da educação devem ser a base ao longo de toda a vida:

• Aprender a conhecer, é o mesmo que aprender a aprender, para se beneficiar das oportunidades oferecidas;

• Aprender a fazer, tornar as pessoas aptas a enfrentar numerosas situações e a trabalhar em equipe, não somente uma qualificação profissional;

• Aprender a viver juntos, desenvolver a compreensão do outro e a percepção das interdependências, realizar projetos comuns, nos valores do pluralismo e da compreensão mutua de paz;

• Aprender a ser, desenvolver sua personalidade, maior capacidade, responsabilidade pessoal.

Linda semana pessoaL...

BjOo grande e gratidão sempre pela visita e carinho de todos!

Paz, sempre ... Paz...

Prof. Jeana Andréa
(assistam aos vídeos... eles são explicativos)






A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores. A segunda meta da educação é formar mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas se propõe.’ (Jean Piaget)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O Bem mais Precioso.



‘Tão importante quanto o que se ensina e se aprende é como se
ensina e como se aprende’.
(César Coll)
Olá, queridos...

Hoje trago uma história que me emociona muito. Por coincidência, acabei relendo-a novamente e quis compartilhar aqui no blog.
Vivemos uma Era muito importante de nossa existência, talvez a melhor de todas. Muito tem se falado em Amor, em Paz, em ‘Re’pensar, em União... Mas o que de efetivo tem-se feito? Temos consciência de todos esses valores e da necessidade de regatá-los. Ok? Então chegamos num acordo: todos temos consciência disso! Mas e a prática? Somente a tomada de consciência, nada fará sozinha. Cadê os procedimentos atitudinais?
Nós professores temos e mãos todos os dias, seres ‘inacabados’, sedentos por aprender coisas novas. E quando digo coisas novas, refiro-me a coisas que não estão imputadas nos currículos. Ensinamos matemática, história, geografia, português, etc e tal. Matérias que serão muito importantes em concursos, vestibulares, busca de empregos, etc. Mas estamos ensinando como conviver em sociedade? Como amar o próximo? Como valorizar realmente o que é importante?

Bom... vamos a história:

Conta o folclore europeu que há muitos anos atrás um rapaz e uma moça apaixonados resolveram se casar.
Dinheiro eles quase não tinham, mas nenhum deles ligava para isso.
A confiança mútua era a esperança de um belo futuro, desde que tivessem um ao outro.
Assim, marcaram a data para se unir em corpo e alma.
Antes do casamento, porém, a moça fez um pedido ao noivo:
- Não posso nem imaginar que um dia possamos nos separar. Mas pode ser que com o tempo um se canse do outro, ou que você se aborreça e me mande de volta para meus pais.
- Quero que você me prometa que, se algum dia isso acontecer, me deixará levar comigo o bem mais precioso que eu tiver então.
O noivo riu, achando bobagem o que ela dizia, mas a moça não ficou satisfeita enquanto ele não fez a promessa por escrito e assinou.
Casaram-se.

Decididos a melhorar de vida ambos trabalharam muito e foram recompensados.
Cada novo sucesso os fazia mais determinados a sair da pobreza, e trabalhavam ainda mais.
E tempo passou e o casal prosperou. Conquistaram uma situação estável e cada vez mais confortável, e finalmente ficaram ricos.
Mudaram-se para uma ampla casa, fizeram novos amigos e se cercaram dos prazeres da riqueza.
Mas, dedicados em tempo integral aos negócios e aos compromissos sociais, pensavam mais nas coisas do que um no outro.
Discutiam sobre o que comprar quanto gastar como aumentar o patrimônio, mas estavam cada vez mais distanciados entre si.
Certo dia, enquanto preparavam uma festa para amigos importantes, discutiram sobre uma bobagem qualquer e começaram a levantar a voz, a gritar, e chegaram às inevitáveis acusações.
- Você não liga para mim! - gritou o marido - só pensa em você, em roupas e jóias.
- Pegue o que achar mais precioso, como prometi, e volte para a casa dos seus pais. Não há motivo para continuarmos juntos.
A mulher empalideceu e encarou-o com um olhar magoado, como se acabasse de descobrir uma coisa nunca suspeitada.
- Muito bem, disse ela baixinho. Quero mesmo ir embora. Mas vamos ficar juntos esta noite para receber os amigos que já foram convidados. Ele concordou.

A noite chegou. Começou a festa, com todo o luxo e a fartura que a riqueza permitia.
Alta madrugada o marido adormeceu, exausto. Ela então fez com que o levassem com cuidado para a casa dos pais dela e o pusessem na cama.
Quando ele acordou, na manhã seguinte, não entendeu o que tinha acontecido. Não sabia onde estava e, quando sentou-se na cama para olhar em volta, a mulher aproximou-se e disse-lhe com carinho:
- Querido marido, você prometeu que se algum dia me mandasse embora eu poderia levar comigo o bem mais precioso que tivesse no momento.
- Pois bem, você é e sempre será o meu bem mais precioso. Quero você mais que tudo na vida, e nem a morte poderá nos separar.
Envolveram-se num abraço de ternura e voltaram para casa mais apaixonados do que nunca.

***
Autor:
Baseado na história "O bem mais precioso", do Livro das Virtudes II, pág. 460.

O egoísmo, muitas vezes, nos turva a visão e nos faz ver as coisas de forma distorcida.
Faz-nos esquecer os verdadeiros valores da vida e buscar coisas que têm valor relativo e passageiro.
Importante que, no dia-a-dia, façamos uma análise e coloquemos na balança os nossos bens mais preciosos e passemos a dar-lhes o devido valor.

E para você, qual é o seu bem mais precioso?
E aqui tomo novamente a liberdade de me apropriar das palavras do amigo Rui: PAUSA PARA REFLEXÃO!!!
Grande bjOo...
Paz, sempre Paz...
Prof. Jeana Andréa
(Assistam aos vídeos...)
'Os educadores precisam compreender que ajudar as pessoas a se tornarem pessoas é muito mais importante do que ajudá-las a tornarem-se matemáticas, poliglotas ou coisa que o valha.'
(Carl Rogers)





quinta-feira, 2 de junho de 2011

'Quem tem boca vai a Roma...'

Queridos amigos e pessoas que visitam esse blog, estamos vivenciando, no estado em que trabalho como professora, um importante momento da educação. Uma grande mobilização do magistério estadual em busca do cumprimento da lei que estabelece o Piso Nacional para os Profissionais da Educação.

Professores da Rede Estadual de ensino de Santa Catarina decidiram entrar em grave na última quarta-feira, 18 de maio, até que o Governo catarinense apresente uma proposta de aplicação efetiva do Piso Nacional no Estado como vencimento básico.

Mas o foco central que quero trazer aqui hoje não é a questão da greve, muito menos seus motivos e precedentes, mesmo porque nesse espaço, gosto de tratar de assuntos ligados aos jovens e crianças, nossos alunos.

Mas em meio a essa mobilização dos profissionais da educação, tenho a grata satisfação de constatar que, apesar de não termos o devido respeito e reconhecimento dentro da sociedade civil e organizada, estamos cumprimento e desempenhando nossas funções. Muitos alunos têm nos apoiado. E o texto que quero trazer hoje para vocês, queridos amigos e leitores, vem justamente de um aluno que tenho o prazer e o privilégio de conhecer... Seu texto nos mostra como o papel de professor é importante no desenvolvimento do verdadeiro cidadão.

Segue abaixo o texto do querido aluno Lucas Luiz Hones, estudante do ensino médio da E.E.B. ‘Santo Antônio’ – Mafra/SC (texto extraído do blog http://mentesrealistas.blogspot.com e publicado no Diário de RioMafra do dia 25/05/11.

‘Quem tem boca vaia Roma’

Antes de iniciar, quero garantir que não sou um desses muitos que se expressam apenas porque todo mundo esta se proclamando. Na verdade, ainda estava a perguntar-me do porque de minha demora tão significativa para a manifestação da indignação que – também – é notória na maioria dos rostos inteligentes deste “país emergente”. Mas, talvez, como muitos fariam, a resposta é simples: a tardança talvez seja o reflexo da convivência com um país corrupto, desinteressado e que bate recordes a cada dia na questão da ignorância.

Maçante ‘convivência’. Realmente não gostaria que esta palavra continuasse sempre acompanhando ‘corrupção’. Porém, assim como Flamengo é Flamengo, Brasil é Brasil. Na explicação mais rápida e satisfatória, lê-se: tardei a escrever assim comoo homem tarda em entender que não pode comer dinheiro; como as pessoas tardam em entender de uma vez por todas que a educação no Brasil esta a poucos centímetros do fundo do poço; como o governo tarda em criar vergonha na cara.

Doce e bela política. Aristóteles propunha, na Grécia antiga, uma forma de se viver em sociedade, buscando juntamente com a ética, ações benéficas para a coletividade. Evoluímos? Creio ser necessário mostrar os fatos: “O Supremo Tribunal Federal manteve no ano de 2011 o piso salarial de R$1.187,97 para a carreira de professor exercida por 40 horas semanais, conforme a lei nº 11.738 de 16 de julho de 2008.*”; “O Governo Federal proferiu que, acaso o Governo Estadual justificasse a falta de condições para o pagamento do piso salarial para os professores, haveria um auxílio do Governo Federal para o cumprimento da Lei.”

Entretanto, passa a ser desnecessário dizer – já que as seguidas notícias de paralisação dos professores catarinenses exigindo o cumprimento da Lei Federal, falam por si - que o Governo de Santa Catarina sequer justificou o não pagamento do piso. Indago: “Santa Catarina é um dos estados mais desenvolvidos do país, qual seria o motivo principal do não cumprimento da norma federal?”. Creio também, ser desnecessário dizer que uma paralisação por tempo indeterminado, acarreta em danos e prejuízos a todos os envolvidos, sendo estes alunos, professores e, posso dizer, até o Estado.

Embora pareça óbvio aos olhos populacionais que o Estado sai prejudicado, o mesmo não acontece a olhos críticos, explanando o leque para a questão nacional. Durante anos o Brasil vem colocando-se como um país emergente, mas não acredito na expressão. A população já colocou suas vendas para a maioria dos assuntos que levam um país a ser desenvolvido. Assuntos esses, que prefiro impor no singular. Educação, essa é a base. O Brasil investe cerca de 4,6% do PIB nela. Muito? Não, nem um pouco. Segundo a Unicef (Fundo das Nações Unidas pela Infância), o Brasil deveria investir ao menos 8% do PIB para reverter as desigualdades e os problemas de qualidade que ainda persistem. Porém, a questão não é somente dinheiro.

É claro e óbvio para a maioria das pessoas perspicazes que o investimento em educação traz melhorias significativas para o avanço de uma nação. Mas nossos superiores são espertos. Eles não desejam críticos, filósofos e pensadores para o futuro. Esperam somente pessoas acomodadas que, assim como a maioria, busquem na urna os algarismos necessários para reelegê-los e dizer que esta tudo ótimo. Apenas almejam que nós pensemos que são ignorantes. Caminhamos para uma ditadura novamente, porém com um partido socialista em nossa frente. Ironia? A máscara esta em cada face dos membros da estrelinha vermelha. Em oito anos já conseguiram transformar a cabeça de mais da metade dos eleitores. Terão mais quatro para fazer isso – ou quem sabe oito – com a outra parte deles. A abolição de um projeto improfícuo que insere nos livros didáticos o uso da ‘linguagem vulgar’** passa a ser um exemplo clássico do que os ‘nossos superiores’ desejam fazer de nosso futuro.

Em questão de diálogo social, fui indagado se, assim como em épocas de ditadura, poderíamos lutar e reivindicar a melhora da sociedade. Minha resposta tem três letras: NÃO! Em todas as situações impostas, o Brasil mostra-se dividido.‘População das bolsas’ e ‘População do trabalho’. Isso já foi justificado com o movimento sulista, denominado ‘O Sul é o meu País’*** onde, se a inserção de São Paulo não existisse, teria se realizado. São Paulo seria se não a única, uma das únicas fontes de renda do Brasil. Já que as outras se preparavam para tornar-se um dos países mais ricos do mundo. Portanto, para haver uma mudança, terá de haver guerra. Aí sim, talvez houvesse uma solução. Porém a parte norte, sairia perdendo, e feio... Mas desculpem-me, estou sonhando. Por mais que haja planos, não haverá tais ações. No fundo, é possível perceber, que para se conseguir algo é necessário lutar. Sem sentido figurado, somente na raiz da expressão. Por isso, ressalto: se anseiam por um país melhor, preparem-se para uma guerra interna. Seremos os guerreiros, enquanto o Palácio do Planalto observará de camarote. Não evoluímos. Apenas o Coliseu cresceu.


Lucas Luiz Hones

*- http://www.grzero.com.br/piso-salarial-dos-professores-2011/
**-http://www.youtube.com/watch?v=kRdrDLrr_fM&feature=share
***- http://www.patria-sulista.org/

Deixo um agradecimento especial ao Lucas que me permitiu publicar seu texto aqui. 'Lucas, meu querido, tua estrada é linda... trilha ela sempre assim... com sabedoria e exatidão. Já te admirava, agora passo a lhe admirar mais ainda. Que mais alunos sejam despertos como você'.

Pessoal, aí que me refiro sempre.

Abraços... Paz, sempre Paz...

Prof. Jeana Andréa


terça-feira, 10 de maio de 2011

Divagações de uma Professora...


Queridos amigos e pessoal que acompanha esse espaço, venho compartilhar com vocês um presente lindo que recebi de uma amiga, em uma de minhas redes sociais. Tocou-me a alma profundamente, pois em meu trabalho diário, muitas vezes não percebo e não me dou conta da grandiosidade e do alcance do mesmo. Abracei a carreira de professora com todo o amor e carinho desse mundo. Semeio e rego todos os dias jovens e crianças, preparando-os para transformar esse mundo...

E nessa correria atrelada do tempo-ação não me dou conta de quantas pessoas estão vibrando nessa sintonia. De quantas pessoas estão acompanhando todo esse processo. Não trabalho com máquinas, com coisas, com seres inanimados, ao contrário: LIDO COM GENTE... COM PESSOAS... COM SERES... COM DIVINDADES...

Essa homenagem da querida Larrívia, levou-me a fazer uma reflexão pedagógica e uma reflexão humana: QUE BOM QUE ESCOLHI ESSA PROFISSÃO!!!

Sinto-me extremamente feliz e realizada. E venho humildemente, agradecer aos amigos e as pessoas que acompanham uma trajetória de 13 anos que iniciou num Centro de Educação Infantil. Passou pela EJA (Educação de Jovens e Adultos) desde o Primeiro Segmento (primeira a quarta série) até o segundo segmento (quinta a oitava série). Ainda galgou o SESI Educação – Educação do Trabalhador (todas as disciplinas do ensino médio, aff... a física me desafiou... rsrsrsrsrs). Algum tempinho também, realizando serviços de secretaria e biblioteca. Percorreu todas as séries iniciais do ensino fundamental. E também, a disciplina, que ano que vem, me graduo: Geografia!

Relembrar essa história me faz acreditar cada vez no grande potencial humano que envolve o trabalho de um professor. Recordo-me de cada lugarzinho que pisei... de cada sala de aula, de cada espaço que foi meu e de olhos sedentos por aprender. Mal sabiam que, aprendi muito mais com eles e aprendo todos os dias.

Um lindo filme passa na cabeça... aulas no interior... trabalhar sessenta horas (sim! já fiz essa loucuraaaaaa... rsrsrsrsrs) Acordar durante dois anos, quatro e meia para dar aula em outras cidades... Aff, é muita história para lembrar e compartilhar, que seria capaz de passar um dia e uma noite escrevendo para relatar... E ao final de tudo isso, ver que valeu e que VALE A PENA...

Quem me conhece sabe que sou APAIXONADAAAAA pelo que faço e que todos os dias não acordo para trabalhar: acordo para divertir-me, aprender e plantar sementes do amanhã!

GRATIDÃO ETERNA A TODOS QUE ME INCENTIVAM E VIBRAM COMIGO NESSA VIBE MAJESTOSA E DIVINA QUE É A PROFISSÃO DE PROFESSOR, DE EDUCADOR... Se eu passar, digamos, mais 200 anos fazendo isso, serão mais 200 anos de completo estado de felicidade...

Larrívia, minha querida... obrigada pelo vídeo, obrigada por trazer à tona tantas recordações significativas para mim.

Compartilho com vocês o vídeo, deixando um beijo no coração de cada um.

Paz, sempre Paz...

Prof. Jeana Andréa

"O Mestre na arte da vida faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu lazer, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e a sua religião. Ele dificilmente sabe distinguir um corpo do outro. Ele simplesmente persegue sua visão de excelência em tudo que faz, deixando para os outros a decisão de saber se está trabalhando ou se divertindo. Ele acha que está sempre fazendo as duas coisas simultaneamente".
(Texto budista)

domingo, 1 de maio de 2011

Educação, Amor e Vida...

Imagem retirada do site: http://ana-amorpelaeducacao.blogspot.com/

Vivemos em uma sociedade que avança tecnologicamente, mas retrocede em termos sociais na mesma velocidade. Sociedade onde o pensamento está massificado, o consumo se tornou uma droga coletiva, ocupando excessivamente a inteligência e a sensibilidade humana.

Um mundo onde as pessoas não aprendem a se interiorizar, a se repensar, a trabalhar suas perdas e frustrações, a superar seus ‘invernos’ existenciais, a se colocar no lugar do outro, a conviver com amor por si e pelo outro. Onde as relações sociais, políticas e econômicas se deterioram cotidianamente. ‘O mundo atual é muitas vezes, um mundo de violência que se opõe a esperança. ’ (UNESCO – Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI)

O homem atual tem a imensa e urgente tarefa de ‘re’ significar o viver com ética, responsabilidade e amorosidade, qualidades fundamentais para a construção de um Novo Mundo, de novas práticas sociais, onde existam o respeito, a solidariedade, o amor e a alegria de viver.

Buscaglia, em seu livro intitulado: ‘Vivendo, amando e aprendendo’ define que o amor e a vida são indissociáveis: ‘... definir o amor, a única palavra bastante grande para englobar tudo, seria ‘vida’. O amor é a vida em todos os seus aspectos. E se deixar de ter amor, deixa de ter vida. ’ (1998:23)

Há anos que psicólogos, sociólogos e antropólogos defendem a tese, que o amor se aprende. Não é algo que acontece espontaneamente. No entanto, acredito que seja, pois temos tantas inibições quando se trata de relacionamentos humanos. (?)

Afinal, quem nos ensina a amar?

Os pais são os primeiros mestres a ensinar a amar, mas nem sempre são os melhores. Os filhos se criam esperando que os pais sejam perfeitos e ficam muitas vezes desapontados, desiludidos e até zangados quando descobrem que esses seres humanos não são perfeitos. A história se constrói e quando ficam adultos, descobrem que aquele homem e aquela mulher são seres humanos normais, como todos, com suas inibições, conceitos errados, ternura, alegria, tristeza, lágrimas, aceitando que são apenas seres humanos tentando acertar.

O importante é que de fato aprendemos o amor com essas pessoas e, com a sociedade podemos desaprendê-lo e reaprendê-lo, portanto ainda há esperança para todos. Mas, em algum ponto é preciso aprender a amar e ter coragem de espalhar esse amor, libertando-o de dentro de casa ser.

Atualmente a educação concentra-se na construção do conhecimento e no desenvolvimento das potencialidades do indivíduo. Está funcionando muito no que se refere à Alfabetização, Matemática e outras ciências. Mas está fracassando tristemente quando se trata de ensinar as crianças a serem seres humanos, ‘... estamos enchendo as pessoas de fatos e nos esquecendo de que são pessoas, seres humanos.’ (Buscaglia, 1998: 23)

As escolas deveriam ser os lugares mais alegres do mundo, porque cada vez que aprendemos algo, passamos a ser um ser novo. O que está faltando é afeto. As escolas, hoje estão mais preocupadas com conceitos e conteúdos e estão se transformando em lugares sem, alegria nem pensamento que estão estrangulando as crianças e destruindo a criatividade e alegria delas.

Buscaglia afirma que, se o professor não gostar de trabalhar com ‘garotinhos’, deveria dar o fora do magistério, pois corre o risco de matar os garotos em tenra idade, como se fosse uma morte em vida. Eu particularmente compartilho da mesma idéia dele.

A sociedade prepara professores o tempo todo e lança-os como belos seres humanos nas salas de aula. Esses professores por sua vez, ficam andando diante da sala e falando a maior parte do tempo, acreditando na errônea idéia de que se está ensinando alguma coisa. O novo desafio do professor é ser ENTUSIASTA (adoro essa palavra... rsrsrsrs), compreender-se e apresentar aos outros de modo que as pessoas aprendam para si e para os outros, pois, ninguém ensina ninguém, aprendemos nas relações que estabelecemos com os outros. Somos todos aprendentes.

A educação está fracassando porque não está ajudando os professores a largarem o papel de mestres e se tornarem seres humanos, possuidores de afeto, de amor e de vida para compartilharem isso com as crianças, pois: ‘... só podemos dar aquilo que possuímos, de modo que é bom começar a conseguir alguma coisa. (...) quer ser o indivíduo mais instruído, o mais brilhante, o mais empolgante, o mais criativo do mundo. Pois aí pode dar tudo isso e o único motivo para possuir alguma coisa é dá-la. ’ (Buscaglia, 1998: 26)

Se o educador tiver conhecimento vasto e interminável, pode oferecer isso aos educandos. O mesmo acontece com o AMOR.

Na nova visão de realidade já não cabe mais o ser humano mecânico e formatado, seguidor de normas imutáveis. Já não cabe o fazedor, tarefeiro, submisso, executor de técnicas e métodos embasados em conteúdos lineares, os quais proporcionam atividades desumanas. Urge o desenvolvimento de um ser humano mais conectado a si, mais solidário e com maior grau de fraternidade. Um Ser Humano que se aceita, que se respeita e que, por isso, aceita e respeita o outro em seu espaço de convivência.

Torna-se cada vez mais necessário, ACREDITAR NA VIDA e isso implica: ‘... acreditar no ser humano em constante mutação construtiva e isso exige o rompimento dos velhos paradigmas, que se supunham dando conta do processo do conhecimento. Necessitamos de um caminhar, onde a criação de melhores e diferentes contextos de aprendizagem esteja profundamente comprometida com um viver mais digno e qualitativo. O belo que se pré escreve é a intensa interação construtiva de seres humanos, assumindo prazerosamente o compromisso de estar vivo. ‘ (Strieder)

Percebo que, ao educador cabe por em prática procedimentos embasados em valores humanos que contemplem a construção do conhecimento, o desenvolvimento do potencial humano e a vivência em valores humanos universais, como o afeto, a solidariedade, o amor e porque não dizer: A VIDA EM TODOS OS SEUS ASPECTOS.

Acredito ser esse o rumo que a educação deve sempre trilhar. Essa é a minha bandeira, esse é o meu exemplo. De alguma forma, nossos educandos espelham-se em nós. Sejamos sempre o exemplo de amor a vida e ao ser humano.

É justamente aí que me refiro sempre.

Abraços... Paz, sempre Paz.

Prof. Jeana Andréa.

(assistam ao vídeo... é maravilhoso e nos serve de exemplo...)