"O Mestre na arte da vida faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu lazer, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e a sua religião. Ele dificilmente sabe distinguir um corpo do outro. Ele simplesmente persegue sua visão de excelência em tudo que faz, deixando para os outros a decisão de saber se está trabalhando ou se divertindo. Ele acha que está sempre fazendo as duas coisas simultaneamente". (Texto budista)

domingo, 1 de maio de 2011

Educação, Amor e Vida...

Imagem retirada do site: http://ana-amorpelaeducacao.blogspot.com/

Vivemos em uma sociedade que avança tecnologicamente, mas retrocede em termos sociais na mesma velocidade. Sociedade onde o pensamento está massificado, o consumo se tornou uma droga coletiva, ocupando excessivamente a inteligência e a sensibilidade humana.

Um mundo onde as pessoas não aprendem a se interiorizar, a se repensar, a trabalhar suas perdas e frustrações, a superar seus ‘invernos’ existenciais, a se colocar no lugar do outro, a conviver com amor por si e pelo outro. Onde as relações sociais, políticas e econômicas se deterioram cotidianamente. ‘O mundo atual é muitas vezes, um mundo de violência que se opõe a esperança. ’ (UNESCO – Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI)

O homem atual tem a imensa e urgente tarefa de ‘re’ significar o viver com ética, responsabilidade e amorosidade, qualidades fundamentais para a construção de um Novo Mundo, de novas práticas sociais, onde existam o respeito, a solidariedade, o amor e a alegria de viver.

Buscaglia, em seu livro intitulado: ‘Vivendo, amando e aprendendo’ define que o amor e a vida são indissociáveis: ‘... definir o amor, a única palavra bastante grande para englobar tudo, seria ‘vida’. O amor é a vida em todos os seus aspectos. E se deixar de ter amor, deixa de ter vida. ’ (1998:23)

Há anos que psicólogos, sociólogos e antropólogos defendem a tese, que o amor se aprende. Não é algo que acontece espontaneamente. No entanto, acredito que seja, pois temos tantas inibições quando se trata de relacionamentos humanos. (?)

Afinal, quem nos ensina a amar?

Os pais são os primeiros mestres a ensinar a amar, mas nem sempre são os melhores. Os filhos se criam esperando que os pais sejam perfeitos e ficam muitas vezes desapontados, desiludidos e até zangados quando descobrem que esses seres humanos não são perfeitos. A história se constrói e quando ficam adultos, descobrem que aquele homem e aquela mulher são seres humanos normais, como todos, com suas inibições, conceitos errados, ternura, alegria, tristeza, lágrimas, aceitando que são apenas seres humanos tentando acertar.

O importante é que de fato aprendemos o amor com essas pessoas e, com a sociedade podemos desaprendê-lo e reaprendê-lo, portanto ainda há esperança para todos. Mas, em algum ponto é preciso aprender a amar e ter coragem de espalhar esse amor, libertando-o de dentro de casa ser.

Atualmente a educação concentra-se na construção do conhecimento e no desenvolvimento das potencialidades do indivíduo. Está funcionando muito no que se refere à Alfabetização, Matemática e outras ciências. Mas está fracassando tristemente quando se trata de ensinar as crianças a serem seres humanos, ‘... estamos enchendo as pessoas de fatos e nos esquecendo de que são pessoas, seres humanos.’ (Buscaglia, 1998: 23)

As escolas deveriam ser os lugares mais alegres do mundo, porque cada vez que aprendemos algo, passamos a ser um ser novo. O que está faltando é afeto. As escolas, hoje estão mais preocupadas com conceitos e conteúdos e estão se transformando em lugares sem, alegria nem pensamento que estão estrangulando as crianças e destruindo a criatividade e alegria delas.

Buscaglia afirma que, se o professor não gostar de trabalhar com ‘garotinhos’, deveria dar o fora do magistério, pois corre o risco de matar os garotos em tenra idade, como se fosse uma morte em vida. Eu particularmente compartilho da mesma idéia dele.

A sociedade prepara professores o tempo todo e lança-os como belos seres humanos nas salas de aula. Esses professores por sua vez, ficam andando diante da sala e falando a maior parte do tempo, acreditando na errônea idéia de que se está ensinando alguma coisa. O novo desafio do professor é ser ENTUSIASTA (adoro essa palavra... rsrsrsrs), compreender-se e apresentar aos outros de modo que as pessoas aprendam para si e para os outros, pois, ninguém ensina ninguém, aprendemos nas relações que estabelecemos com os outros. Somos todos aprendentes.

A educação está fracassando porque não está ajudando os professores a largarem o papel de mestres e se tornarem seres humanos, possuidores de afeto, de amor e de vida para compartilharem isso com as crianças, pois: ‘... só podemos dar aquilo que possuímos, de modo que é bom começar a conseguir alguma coisa. (...) quer ser o indivíduo mais instruído, o mais brilhante, o mais empolgante, o mais criativo do mundo. Pois aí pode dar tudo isso e o único motivo para possuir alguma coisa é dá-la. ’ (Buscaglia, 1998: 26)

Se o educador tiver conhecimento vasto e interminável, pode oferecer isso aos educandos. O mesmo acontece com o AMOR.

Na nova visão de realidade já não cabe mais o ser humano mecânico e formatado, seguidor de normas imutáveis. Já não cabe o fazedor, tarefeiro, submisso, executor de técnicas e métodos embasados em conteúdos lineares, os quais proporcionam atividades desumanas. Urge o desenvolvimento de um ser humano mais conectado a si, mais solidário e com maior grau de fraternidade. Um Ser Humano que se aceita, que se respeita e que, por isso, aceita e respeita o outro em seu espaço de convivência.

Torna-se cada vez mais necessário, ACREDITAR NA VIDA e isso implica: ‘... acreditar no ser humano em constante mutação construtiva e isso exige o rompimento dos velhos paradigmas, que se supunham dando conta do processo do conhecimento. Necessitamos de um caminhar, onde a criação de melhores e diferentes contextos de aprendizagem esteja profundamente comprometida com um viver mais digno e qualitativo. O belo que se pré escreve é a intensa interação construtiva de seres humanos, assumindo prazerosamente o compromisso de estar vivo. ‘ (Strieder)

Percebo que, ao educador cabe por em prática procedimentos embasados em valores humanos que contemplem a construção do conhecimento, o desenvolvimento do potencial humano e a vivência em valores humanos universais, como o afeto, a solidariedade, o amor e porque não dizer: A VIDA EM TODOS OS SEUS ASPECTOS.

Acredito ser esse o rumo que a educação deve sempre trilhar. Essa é a minha bandeira, esse é o meu exemplo. De alguma forma, nossos educandos espelham-se em nós. Sejamos sempre o exemplo de amor a vida e ao ser humano.

É justamente aí que me refiro sempre.

Abraços... Paz, sempre Paz.

Prof. Jeana Andréa.

(assistam ao vídeo... é maravilhoso e nos serve de exemplo...)