"O Mestre na arte da vida faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu lazer, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e a sua religião. Ele dificilmente sabe distinguir um corpo do outro. Ele simplesmente persegue sua visão de excelência em tudo que faz, deixando para os outros a decisão de saber se está trabalhando ou se divertindo. Ele acha que está sempre fazendo as duas coisas simultaneamente". (Texto budista)

domingo, 1 de maio de 2011

Educação, Amor e Vida...

Imagem retirada do site: http://ana-amorpelaeducacao.blogspot.com/

Vivemos em uma sociedade que avança tecnologicamente, mas retrocede em termos sociais na mesma velocidade. Sociedade onde o pensamento está massificado, o consumo se tornou uma droga coletiva, ocupando excessivamente a inteligência e a sensibilidade humana.

Um mundo onde as pessoas não aprendem a se interiorizar, a se repensar, a trabalhar suas perdas e frustrações, a superar seus ‘invernos’ existenciais, a se colocar no lugar do outro, a conviver com amor por si e pelo outro. Onde as relações sociais, políticas e econômicas se deterioram cotidianamente. ‘O mundo atual é muitas vezes, um mundo de violência que se opõe a esperança. ’ (UNESCO – Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI)

O homem atual tem a imensa e urgente tarefa de ‘re’ significar o viver com ética, responsabilidade e amorosidade, qualidades fundamentais para a construção de um Novo Mundo, de novas práticas sociais, onde existam o respeito, a solidariedade, o amor e a alegria de viver.

Buscaglia, em seu livro intitulado: ‘Vivendo, amando e aprendendo’ define que o amor e a vida são indissociáveis: ‘... definir o amor, a única palavra bastante grande para englobar tudo, seria ‘vida’. O amor é a vida em todos os seus aspectos. E se deixar de ter amor, deixa de ter vida. ’ (1998:23)

Há anos que psicólogos, sociólogos e antropólogos defendem a tese, que o amor se aprende. Não é algo que acontece espontaneamente. No entanto, acredito que seja, pois temos tantas inibições quando se trata de relacionamentos humanos. (?)

Afinal, quem nos ensina a amar?

Os pais são os primeiros mestres a ensinar a amar, mas nem sempre são os melhores. Os filhos se criam esperando que os pais sejam perfeitos e ficam muitas vezes desapontados, desiludidos e até zangados quando descobrem que esses seres humanos não são perfeitos. A história se constrói e quando ficam adultos, descobrem que aquele homem e aquela mulher são seres humanos normais, como todos, com suas inibições, conceitos errados, ternura, alegria, tristeza, lágrimas, aceitando que são apenas seres humanos tentando acertar.

O importante é que de fato aprendemos o amor com essas pessoas e, com a sociedade podemos desaprendê-lo e reaprendê-lo, portanto ainda há esperança para todos. Mas, em algum ponto é preciso aprender a amar e ter coragem de espalhar esse amor, libertando-o de dentro de casa ser.

Atualmente a educação concentra-se na construção do conhecimento e no desenvolvimento das potencialidades do indivíduo. Está funcionando muito no que se refere à Alfabetização, Matemática e outras ciências. Mas está fracassando tristemente quando se trata de ensinar as crianças a serem seres humanos, ‘... estamos enchendo as pessoas de fatos e nos esquecendo de que são pessoas, seres humanos.’ (Buscaglia, 1998: 23)

As escolas deveriam ser os lugares mais alegres do mundo, porque cada vez que aprendemos algo, passamos a ser um ser novo. O que está faltando é afeto. As escolas, hoje estão mais preocupadas com conceitos e conteúdos e estão se transformando em lugares sem, alegria nem pensamento que estão estrangulando as crianças e destruindo a criatividade e alegria delas.

Buscaglia afirma que, se o professor não gostar de trabalhar com ‘garotinhos’, deveria dar o fora do magistério, pois corre o risco de matar os garotos em tenra idade, como se fosse uma morte em vida. Eu particularmente compartilho da mesma idéia dele.

A sociedade prepara professores o tempo todo e lança-os como belos seres humanos nas salas de aula. Esses professores por sua vez, ficam andando diante da sala e falando a maior parte do tempo, acreditando na errônea idéia de que se está ensinando alguma coisa. O novo desafio do professor é ser ENTUSIASTA (adoro essa palavra... rsrsrsrs), compreender-se e apresentar aos outros de modo que as pessoas aprendam para si e para os outros, pois, ninguém ensina ninguém, aprendemos nas relações que estabelecemos com os outros. Somos todos aprendentes.

A educação está fracassando porque não está ajudando os professores a largarem o papel de mestres e se tornarem seres humanos, possuidores de afeto, de amor e de vida para compartilharem isso com as crianças, pois: ‘... só podemos dar aquilo que possuímos, de modo que é bom começar a conseguir alguma coisa. (...) quer ser o indivíduo mais instruído, o mais brilhante, o mais empolgante, o mais criativo do mundo. Pois aí pode dar tudo isso e o único motivo para possuir alguma coisa é dá-la. ’ (Buscaglia, 1998: 26)

Se o educador tiver conhecimento vasto e interminável, pode oferecer isso aos educandos. O mesmo acontece com o AMOR.

Na nova visão de realidade já não cabe mais o ser humano mecânico e formatado, seguidor de normas imutáveis. Já não cabe o fazedor, tarefeiro, submisso, executor de técnicas e métodos embasados em conteúdos lineares, os quais proporcionam atividades desumanas. Urge o desenvolvimento de um ser humano mais conectado a si, mais solidário e com maior grau de fraternidade. Um Ser Humano que se aceita, que se respeita e que, por isso, aceita e respeita o outro em seu espaço de convivência.

Torna-se cada vez mais necessário, ACREDITAR NA VIDA e isso implica: ‘... acreditar no ser humano em constante mutação construtiva e isso exige o rompimento dos velhos paradigmas, que se supunham dando conta do processo do conhecimento. Necessitamos de um caminhar, onde a criação de melhores e diferentes contextos de aprendizagem esteja profundamente comprometida com um viver mais digno e qualitativo. O belo que se pré escreve é a intensa interação construtiva de seres humanos, assumindo prazerosamente o compromisso de estar vivo. ‘ (Strieder)

Percebo que, ao educador cabe por em prática procedimentos embasados em valores humanos que contemplem a construção do conhecimento, o desenvolvimento do potencial humano e a vivência em valores humanos universais, como o afeto, a solidariedade, o amor e porque não dizer: A VIDA EM TODOS OS SEUS ASPECTOS.

Acredito ser esse o rumo que a educação deve sempre trilhar. Essa é a minha bandeira, esse é o meu exemplo. De alguma forma, nossos educandos espelham-se em nós. Sejamos sempre o exemplo de amor a vida e ao ser humano.

É justamente aí que me refiro sempre.

Abraços... Paz, sempre Paz.

Prof. Jeana Andréa.

(assistam ao vídeo... é maravilhoso e nos serve de exemplo...)




domingo, 3 de abril de 2011

A MENINA DO VESTIDO AZUL!

imagem retirada do site: http://mibbrasil.blogspot.com/p/quem-somos.html


Queridos, hoje escutei uma linda história, através de um programa em nossa rádio local. Para variar, essa história me tocou... rsrsrsrs

Primeiro, pelo seu teor pois, vivemos num mundo tão complexo onde, se fala muito e se age pouco.

Em segundo, pelo fato de mostrar que, uma pequena atitude, mesmo que isolada, pode mudar o contexto de toda uma sociedade.

E por último, como não poderia deixar de ser, rsrsrsrs, tudo se inicia por um professor, pelas mãos sagradas e sábias de um professor. Espero que gostem.


A MENINA DO VESTIDO AZUL!

Num bairro pobre de uma cidade distante, morava uma garotinha muito bonita.

Acontece que essa menina frequentava as aulas da escolinha local no mais lamentável estado: Suas roupas eram tão velhas que seu professor resolveu dar-lhe um vestido novo.

Assim raciocinou o mestre: "É uma pena que uma aluna tão encantadora venha às aulas desarrumada desse jeito.

“Talvez, com algum sacrifício, eu pudesse comprar para ela um vestido azul.”

Quando a garota ganhou a roupa nova, sua mãe não achou razoável que, com aquele traje tão bonito, a filha continuasse a ir ao colégio suja como sempre, e começou a dar-lhe banho todos os dias, antes das aulas.

Ao fim de uma semana, disse o pai:

"Mulher, você não acha uma vergonha que nossa filha, sendo tão bonita e bem arrumada, more num lugar como este, caindo aos pedaços?

Que tal você ajeitar um pouco a casa, enquanto eu, nas horas vagas, vou dando uma pintura nas paredes, consertando a cerca, plantando um jardim?"

E assim fez o humilde casal.

Até que sua casa ficou muito mais bonita que todas as casas da rua e os vizinhos se envergonharam e se puseram também a reformar suas residências.

Desse modo, todo o bairro melhorava a olhos vistos, quando por isso passou um político que, bem impressionado, disse:

"É lamentável que gente tão esforçada não receba nenhuma ajuda do governo".

E dali saiu para ir falar com o prefeito, que o autorizou a organizar uma comissão para estudar que melhoramentos eram necessários ao bairro.

Dessa primeira comissão surgiram muitas outras e hoje, por todo o país, elas ajudaram os bairros pobres a se reconstruírem.

E pensar que tudo começou com um vestido azul.

Não era intenção daquele simples professor consertar toda a rua, nem criar um organismo que socorresse os bairros abandonados de todo o país.

Mas ele fez o que podia, ele deu a sua parte, ele fez o primeiro movimento, do qual se desencadeou toda aquela transformação. É difícil reconstruir um bairro, mas é possível dar um vestido azul.

(Desconheço o autor)

Com essa história, novamente me aproprio da frase do amigo Rui: ‘Pausa para Reflexão.’

O mundo não precisa de pessoas que aconteçam, o mundo precisa de pessoas com atitudes... Não foi necessário rios de dinheiro para mudar o estilo de Vida das pessoas da história, tudo começou com uma atitude simples. Todos podemos fazer a diferença... basta querer, basta agir. Como já dizia o grande Ghandi: ‘Seja a mudança que você quer ver no mundo’. É aí que sempre me refiro...

BjOo grande a todos



(esse vídeo me emocionou... tenho o filme 'A Corrente do Bem' e o acho barbároooooo, sempre que posso, passo aos alunos)

terça-feira, 29 de março de 2011

Haikai


http://auribertoeternochocalheiro.blogspot.com/2011/02/haikai-voce-conhece.html

Queridos, essa semana, ‘caiu-me’ nas mãos, um livro maravilhoso intitulado: ‘Conversa de Passarinho’... E suscitada pela curiosa e pela grande paixão que tenho pela poesia, comecei a lê-lo. Descobri algo fascinante com o nome de Haikai.

‘O haikai se faz com três linhas, ou versos, e não mais de 17 sílabas.
Seu tema é a natureza, e não nossos sentimentos e pensamentos.
Se faz com simplicidade, leveza, desapego, sutileza, objetividade, integração com o todo.
Sua melhor definição, na opinião de muitos, é uma fotografia em palavras.
Grava o instante. O fotógrafo não aparece na foto, mas sua sensibilidade sim.
O mesmo no haikai.
É como se as coisas falassem por si mesmas. Sem adjetivos, sem a impressão do poeta, exatamente como são.
Só o real, sem comparar a nada e, talvez por isso mesmo, tão incomparável.
Porque, descrevendo a coisa apenas como ela é, desperta a sensação da própria coisa.
A sensação, por exemplo, da estação em que ela acontece, nos fazendo lembrar de que tudo está sempre mudando, tem o seu próprio tempo, que é cíclico.
É essencial, isto é, capta a essência das coisas, e a essa característica se dá o nome de haimi, que significa “sabor de haikai”.
Não é difícil de entender, quando se volta à comparação com fotografia.
Qualquer um é capaz de perceber se uma foto é boa ou não, além dos aspectos técnicos. Ela é boa se nos toca, se capta um instante especial, se provoca uma sensação.
O haikai é uma forma poética que nasceu no Japão e chegou ao Brasil há exatos 100 anos, em 1908, no navio kassato Maru, com a primeira leva de imigrantes japoneses.
Diferente, em muitos sentidos, da poesia que se faz no Ocidente, o haikai nos ensina coisas fundamentais para nosso momento atual.
Em primeiro lugar, a síntese.
Com apenas três versos, nem um a mais, nem um a menos, e com 17 sílabas, no máximo, exercitamos o dom de dizer o suficiente como um mínimo de palavras.
Como vivemos cada vez mais, um tempo sem tempo, em que não é possível absorver toda informação que nos chega - nem transmiti-la- ser sintético e aprender a concentrar conteúdos e fundamental.
Mas também aprendemos a olhar para fora de nós mesmos, a observar a natureza, as mudanças de estação, e assim nos sentimos mais integrados com o todo e ficamos menos absorvidos com nossos problemas pessoais, que passam a ser menos importantes.
Sair do próprio umbigo, como Buda avisou, é o caminho para a cessação do sofrimento.
O nome mais conhecido na história do haikai no Japão e, por tanto, no mundo, é Matsuo Bashô.
Ele era um guerreiro, ou samurai, e como tal, aprendeu muitas artes zen, que são caminhos para uma atitude de vida.
Além das artes marciais, judô (o caminho da suavidade), karatê do (caminho das mãos vazias), kyu dô, (caminho do arco e flecha), kendô, o caminho de manejar a espada, os samurais do Japão antigo aprendiam ikebana, ou ka dô, que é a arte do arranjo floral, o cha-dô, que é a cerimônia do chá, e outras mais, como o haikai dô, ou caminho do haikai.
Quando seu senhor morreu, de morte natural, Bashô escolheu, entre tantas artes, ensinar haikai e chegou a ter 3.000 discípulos. Mas, como o haikai é feito sobre a natureza, Bashô decidiu sair de sua cidade e viajar para ver as outras paisagens de seu país.
Seus alunos inconformados lhe pediram para ficar porque achavam que ainda tinham muito a aprender, e Bashô lhe disse:
-Não tenho mais nada para ensinar a vocês, qualquer dúvida que vocês tenham, perguntem a uma criança de 8 anos.
Porque,não importa a idade que se tenha, é a criança que existe em cada um de nós, que sabe ler, entender e escrever haikai’. (Retirado do livro: Conversa de Passarinhos das autoras, Alice Ruiz S e Maria Valéria Rezende. Livro esse distribuído pelo MEC às escolas)


Vamos tentar?

‘Cai a chuva,

Molha a terra...

Serenidade nasce!` (Prof. Jeana Andréa)

Rsrsrsrsrsrs... Alguém mais se habilita?

BjOo grande pessoal! Sempre Paz.

Prof. Jeana Andréa



domingo, 27 de março de 2011

Bullying - vencendo preconceitos

Hoje trago um assunto que vem ganhando espaço na mídia mundial. Um assunto delicado e que merece a atenção de todos. Quem me conhece, sabe que não gosto de falar ou mesmo mostrar coisas tristes e violentas, pois, sou contra todo e qualquer tipo de violência e indelicadeza. Mas, infelizmente, elas existem e precisam ser discutidas para que, possam ser evitadas ou tiradas de foco.

Recebi dia desses, um vídeo gravado em uma escola da Austrália e que ganhou preferência na Internet. No youtube, ele já teve milhares de acessos e continua sendo republicado em vários sites. As imagens mostram um menino de boné, Richard Gale, de 12 anos, provocando um colega, Casey Heynes, de 15 anos. Ele dá socos no garoto mais velho, até que Cassey resolve revidar e jogo o menino no chão. Em entrevistas a jornais australianos, Casey disse que sofria ‘bullying’ desde os oito anos de idade e que se cansou. Richard disse que foi agredido primeiro.

As imagens geraram discussões no mundo todo sobre o ‘bullying’ que, define repetidas agressões físicas ou morais a uma pessoa. No Brasil, uma pesquisa do IBGE mostra que 31% dos brasileiros já foram vítimas de tais agressões.

Cenas virtuais, como essa parecem cenas de filme ou parecem estar apenas do outro lado do mundo, mas podem estar bem mais perto do que imaginamos. Para tanto é de suma importância que, nós educadores, estejamos atentados para isso e os pais estejam em constante alerta também. A grande preocupação é que, esse seja um dos fatores da evasão escolar, já que as vítimas costumam enfrentar problemas sérios na escola. No início, alunos que sofrem algum tipo de agressão ou humilhação freqüente por parte de colegas, procuram pretextos para faltar às aulas, e depois acabam por desistir de estudar.

Especialistas também demonstram grande preocupação com as vítimas e as consequências do ‘bullying’. Os sintomas variam de alterações de sono, dores de cabeça e isolamento até depressão, pânico e tentativas de suicídio. Para os pais, o alerta pode surgir a partir de hábitos de resistência do filho para ir à escola, insegurança dentro do ambiente escolar ou mau rendimento nos estudos.

Os especialistas chamam ainda a atenção para o alto índice de suicídio de vítimas dessa prática horrorosa já que, as crianças frequentemente sofrem altos níveis de estresse, ansiedade e depressão. Eles observam ainda que, algumas vítimas, como forma de alto defesa, podem adotar comportamento antissocial ou deliquente. Já, os agressores podem levar suas práticas de constrangimento ao extremo, podendo chegar inclusive à agressão física.

A palavra ‘bullying’ é um termo de idioma inglês, é de difícil tradução e não dispões de significado na língua portuguesa que, demonstre claramente um sentido exato. A palavra é originada de ‘bully’que, significa ‘valentão’, ‘brigão’e, vem sendo utilizada para caracterizar a violência ‘comum’ nas interações entre pares, ocorrendo principalmente entre crianças e adolescentes em atividade escolar. Essa violência consiste em agressões físicas e/ou psicológicas, realizadas de forma repetida, intencional e sem motivação, assemelhando-se com uma espécie de tirania, na qual as vítimas normalmente são mais frágeis e menos influentes que seus agressores. Não é caracterizado ‘bullying’ a briga eventual e práticas isoladas de violência.

No final do ano passado, assisti ao filme ‘Bullying’e confesso a vocês que, não consegui assistir a mais de trinta minutos de filme... Olho ele aqui na minha estante e chego a ter repulsa em sequer imaginar que exista isso dentro de nossa sociedade. Por isso faço um apelo como pessoa Jeana Andréa e como prof. Jeana Andréa: tentemos de todos os modos combater isso em nosso meio. Prestemos mais atenção aos nossos alunos e filhos e no comportamento deles. Falo isso embasada no livro ‘Mentes Perigosas – O psicopata mora ao lado’, da escritora Ana Beatriz Barbosa Silva, o qual li e confesso que fiquie espantada em perceber como a mente humana pode chegar a maldades inconcebíveis e intolerantes.

Senhores pais e educadores, atentemos para o fato que esses jovens que praticam ‘bullying’ hoje, possam ser os psicopatas, bandidos, marginais, sociopatas, etc do amanhã. E somente com a ampla divulgação, discussão, tomada de consciência e procedimentos atitudinais, poderemos extirpar ou delimitar o campo de atuação desse sujeito. E, jamais nos esqueçamos de que são com exemplos, com os nossos exemplos que as crianças e jovens crescem, pois:

‘Se uma criança vive com criticismo, ela aprende a condenar.

Se uma criança vive com hostilidade, ela aprende a agredir.

Se uma criança vive com medo, ela aprende a ser apreensiva.

Se uma criança vive com piedade, ela aprende a sentir pena de si mesma.

Se uma criança vive sendo ridicularizada, ela aprende a ser tímida.

Se uma criança vive com a inveja, ela aprende o que é o ciúme.

Se uma criança vive com vergonha, ela aprende a se sentir culpada.

Se uma criança vive com incentivo, ela aprende a ser confiante.

Se uma criança vive com tolerância, ela aprende a ser paciente.

Se uma criança vive com elogios, ela aprende a apreciar.

Se uma criança vive com aceitação, ela aprende a amar.

Se uma criança vive com aprovação, ela aprende a gostar de si mesma.

Se uma criança vive com reconhecimento, ela aprende que é bom ter um objetivo.

Se uma criança vive com colaboração, ela aprende sobre a generosidade.

Se uma criança vive com a honestidade e lealdade, ela aprende o que é a verdade e a justiça.

Se uma criança vive com segurança, ela aprende a ter fé em si mesma e nos outros ao seu redor.

Se uma criança vive com amizade, ela aprende que o mundo é um bom lugar para se viver.

Se uma criança vive com serenidade, ela aprende a ter paz de espírito. ’(desconheço o autor)

Vitor Hugo tem uma frase que gosto muito e é com ela que encerro esse texto, deixando um beijo grande no coração de cada um, pedindo que, sempre procuremos proliferar a Paz de todas as formas possíveis e concebíveis, pois só através dela, conseguiremos construir uma sociedade mais JUSTA e HUMANA à nossas crianças e jovens. Assistam aos vídeos abaixo, são bárbaros... rsrsrs e muito explicativos.

‘Aquele que abre uma escola, fecha uma prisão.’ (Vitor Hugo) - 'é aí que sempre me refiro!!!' :)





domingo, 13 de março de 2011

'O Luizinho da Segunda Fila'


Muitas vezes, em nossa missão de ensinar, nos preocupamos com o excesso de conteúdos programáticos e deixamos de lado a oportunidade de conversar e conhecer nossos alunos... Hoje li uma história interessante do grande mestre Celso Antunes, intitulado ‘O Luizinho da Segunda Fila’. Celso Antunes é educador brasileiro, formado em geografia pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em ciências humanas e especialista em inteligência e cognição. Membro consultor da Associação Internacional pelos Direitos da Criança Brincar, reconhecido pela UNESCO. É autor de mais de cento e oitenta livros e consultor de diversas revistas. Segundo ele: ‘O cérebro de uma pessoa, de qualquer pessoa, contém todo potencial de percepções, belezas e arranjos lingüísticos, simbólicos, cinestésicos, pictóricos e lógicos que abrigam todo saber humano possível. Todo ser humano é saber em semente, pronto para brotar e florescer tão logo aprenda a construir-se em comunhão com o objetivo imprescindível de todas as fantasias previsíveis – o mundo em que vivemos. ’ (Celso Antunes)

Mas vamos à história de Luizinho... rsrsrsrsrs

O Luizinho da segunda fila

Marcelo é um excelente professor de Geografia. Na aula sobre o Pantanal até excedeu-se. Falou com entusiasmo, relatou com detalhes, descreveu com precisão. Preencheu a lousa com critério, soube fazer com que os alunos descobrissem na interpretação do texto do livro a magia dessa região quase selvagem. Exibiu um vídeo, congelou cenas e enriqueceu-as com detalhes, com fatos experimentados, acontecimentos do dia-a-dia de cada um.

Em sua prova, é evidente, não deu outra: uma redação sobre o tema e questões operatórias que envolviam o Pantanal, seus rios, suas aves, sua vegetação... a planície imensa. Os alunos acharam fácil. Apanharam suas folhas e começaram a trazer, palavra por palavra, suas imagens para o papel. As canetas corriam soltas e as linhas transformavam-se em parágrafos. Marcelo sabia o quanto teria que corrigir, mas vibrava...Sentia que os alunos aprendiam. Descobria o interesse que sua ciência despertava. Não pôde conter uma emoção diferente quando Heleninha, sua aluna predileta, foi até sua mesa e arfante solicitou:

-Posso pegar mais uma folha em branco?

O único ponto de discórdia, o único sentimento opaco que aborrecia Marcelo, era o Luizinho, aquele da segunda fila. – Puxa vida! – pensava – Luizinho assistira todas as suas aulas, arregalara os olhos com as explicações e agora, na prova, silêncio absoluto, imobilidade total... nem sequer uma linha. Sentiu ímpetos de esganar. Luizinho pagaria seu preço, iria certamente para a recuperação. Se duvidassem poderia, até mesmo, leva-lo à retenção. Seria até possível arrancar um ano inteirinho de sua vida...

Minutos depois, avisou que o tempo estava terminado. Que entregassem suas folhas. Viu então que, rapidamente, Luisinho desenhou, na primeira página das folhas da prova, o Pantanal. Rico, minucioso, preciso. Marcelo emocionou-se, ao ver aquele quadro, de irretocável perfeição, nas mãos de Luizinho que coloria as últimas sobras. Entusiasmado indagou:

-E aí, Luis? Você já esteve no Pantanal?

Não. Luizinho jamais saíra de sua cidade. Construiu sua imagem a partir das aulas ouvidas. Marcelo sentiu-se um gigante e, de repente, descobriu-se o próprio Piaget. Havia com suas palavras construído uma imagem completa, correta e absoluta na mente de seu aluno.

Mas, deu zero pela redação. É claro. Naquela escola não era permitido que se rabiscassem as folhas da prova.

A história de Luizinho repete-se em muitas escolas.

Sua Inteligência pictórica é imensa, colossal, lúcida, clara e contrasta visivelmente com as limitações de sua competência verbal. Expressou o que sabia, da maneira como conseguia. Mas, não são todos os professores que se encontram treinados para ouvir linguagens diferentes da que a escola instituiu como única e universal.

(Trecho do Livro Marinheiros e Professores, 6a ed., Petrópolis, Vozes, 2000, p. 72-73, Celso Antunes)

Essa história fez-me lembrar o psicólogo Howard Gardner. Estudioso do campo da psicologia cognitiva educacional e conhecido em especial pela sua Teoria das Inteligências Múltiplas. Atualmente ele é professor de Cognição e Educação na Universidade de Harvard e professor adjunto de neurologia na Universidade de Boston. Depois de muitos anos de pesquisas com a inteligência humana, Gardner concluiu que, o cérebro do homem possui alguns tipos de inteligência. Porém, a maioria das pessoas possui uma ou duas inteligências desenvolvidas. Isto explica porque um indivíduo é muito bom com cálculos matemáticos, porém não tem muita habilidade com expressão artística. De acordo com Gardner, são raríssimos os casos em que uma pessoa possui diversas inteligências desenvolvidas. Ele ainda afirma que estas inteligências apresentam-se de duas formas. Algumas pessoas já nascem com determinadas inteligências, ou seja, agenética contribui. Porém, as experiências vividas também contribuem para o desenvolvimento de determinadas inteligências.
Os estímulos e o ambiente social são importantes no desenvolvimento de determinadas inteligências. Se uma pessoa, por exemplo, nasce com uma inteligência musical, porém as condições ambientais (escola, família, região onde mora) não oferecem estímulos para o desenvolvimento das capacidades musicais, dificilmente este indivíduo será um músico.

Segundo Gardner as Inteligências Múltiplas são:

Inteligência Lingüística - Refere-se ao domínio da expressão com o uso da linguagem verbal e da oralidade de um modo geral. É o manejo da palavra e da verbalização do pensamento. É a capacidade de expressão e compreensão da língua escrita e verbal. Manifesta-se na sensibilidade do entendimento da ordem e do significado das palavras, capacidade de convencer alguém sobre um fato, de explicar, ensinar e aprender, estimular o senso de humor, a memória e a lembrança, transmitir informações ou simplesmente agradar. Se expressa de modo característico em pessoas que gostam de escrever, ler, ouvir, contar histórias e piadas; pessoas que possuem boa memória para nomes, lugares, datas e histórias; pessoas que lidam criativamente com as palavras, língua corrente e linguagem de uma maneira geral. É especialmente desenvolvida em poetas, jornalistas, oradores, pregadores, vendedores, escritores.

Inteligência Espacial - Refere-se ao sentido de movimento, de localização, senso de profundidade e de direção. Inteligência na qual, em muitas vezes, se produz um efeito que é exigido para a realização de tarefas pertinentes ao trato simultâneo tridimensionais, dimensões, ângulos e perspectivas diferentes. Está relacionada com a capacidade de visualizar, moldar, manipular e criar imagens mentais. Esta inteligência é característica especialmente desenvolvida em pessoas com atividades ligadas a artes visuais (pintura, desenho e escultura), navegação, criação de mapas, em jogadores como xadrezes (que exigem a habilidade de visualizar objetos a partir de diferentes perspectivas), tais como: arquitetos, escultores, artistas gráficos, cartógrafos, pintores, designers, cirurgiões plásticos.

Inteligência Lógico-matemática - Refere-se a competência em desenvolver raciocínio lógico, dedutivo, indutivo e de compreensão de modelos matemáticos; lidar com números ou outros objetos matemáticos, envolvendo cálculos e transformações; capacidade de manejar habilmente longas cadeias de raciocínio; de trabalhar com símbolos abstratos (números e figuras geométricas). Trata-se da habilidade em lidar com conceitos científicos. É dotado de um senso dedutivo e lógico muito firme e bastante apurado. Esta inteligência é característica especialmente desenvolvida em pessoas que gostam de matemática e de usar computadores, de jogar xadrez, damas, jogos de estratégia e quebra-cabeças. Normalmente são matemáticos, filósofos, contadores, escritores, banqueiros, administradores.

Inteligência Musical - É dotado em indivíduos que possuem o domínio da expressão com os sons; que possuem a habilidade de reconhecer padrões sonoros, tons, ritmos. Incluem sensibilidade a sons ambientais, vozes humanas e instrumentos musicais. Seu perfil indica o reconhecimento da estrutura musical, de esquemas para ouvir música, sensibilidade para sons, criação de melodias, percepção das qualidades dos tons e habilidade para tocar instrumentos. Esta habilidade de compreensão melódica e rítmica de sons musicais é desenvolvida em músicos, cantores, compositores, maestros.

Inteligência Corporal-cinestésica - Refere-se ao domínio dos movimentos do corpo; a qualquer habilidade físico-motora na forma de uma linguagem corporal. Manifesta-se tipicamente no atleta, no artista, que seguramente não elaboram cadeias de raciocínios para realizar seus movimentos, e na maior parte das vezes, não conseguem explicá-los verbalmente. Os exercícios e os treinamentos conseguem desenvolver tal competência, embora os limites alcançados difiram significativamente em diferentes indivíduos. É relacionado com o movimento físico, o conhecimento do corpo e como ele funciona. Inclui a habilidade de usar o corpo para expressar emoções, para jogar, para interpretar e usar linguagem corporal. São pessoas que aprendem através do movimento; aprendem melhor através do contato; movimentam-se constantemente; gostam de esportes; gostam de tocar ou de serem tocados quando conversam com as pessoas; gostam de artes e trabalhos manuais, assim com atores, atletas, dançarinos profissionais, cirurgiões, mímicos.

Inteligência Intrapessoal - Refere-se à capacidade de autocompreensão, de automotivação, auto-estima, conhecimento e estar bem consigo mesmo. É basicamente a habilidade de administrar os próprios humores, sentimentos, emoções e projetos a seu favor. É capaz de fazer com que as situações e os problemas cotidianos sempre acabem tomando novos contornos, quando se põe a analisá-los com sua ótica particular e seu reconhecimento das situações correlatas. Inclui metacognição (pensar sobre o pensar), respostas emocionais, auto-reflexão e consciência de conceitos metafísicos. Assim, a inteligência intrapessoal diz mais respeito à capacidade de autocontrole e estabilidade emocional do indivíduo frente às dificuldades encontradas em qualquer ambiente.

Desenvolvem, exploram e fazem explorar estas habilidades filósofos, psiquiatras, aconselhadores, pesquisadores.

Inteligência Interpessoal - É a capacidade de se relacionar com o outro, de entender as reações, criar empatia e carisma, perceber humores, motivações, em captar intenções usadas nos relacionamentos pessoa-a-pessoa. É uma das inteligências que funciona quase que como uma marca registrada, em função da facilidade em estabelecer contato com os outros e de compreender de antemão as suas expectativas, seus medos e anseios, conseguindo analisar questões de diferentes pontos de vista. Pessoas dotadas desta inteligência são capazes de compreender as outras pessoas, entender o que as motiva e como trabalham. Possibilita ainda inferir o estado de ânimo, temperamento e nas intenções do outro. Destacam-se líderes, políticos, professores, terapeutas, aconselhadores, comunicadores, religiosos e é fundamental nos pais. Apesar de não serem abordadas por Gardner, hoje podemos ir além desses modelos. Já se ouve falar em modelos que estão surgindo como padrões comportamentais mais modernos e ainda não explorados ou comprovados. Podemos identificar então:

Inteligência Naturalista - Ou a sensibilidade para aprender com os processos da natureza, que chega a ser quase como um princípio de vida, em alguns indivíduos, que descobrem sempre uma forma de atuar sutil e eficazmente, seguindo leis naturais que às vezes parecem um tanto distantes da compreensão ou da mensuração pelos demais. São pessoas que tem o dom de relacionar-se bem com a natureza, sente-se confortável no mundo dos organismos e podem ter o talento de cuidar de várias criaturas vivas, domá-las ou com elas interagir, tais como biólogos, botânicos, pescadores, agricultores, jardineiros.

Inteligência Existencial / Espiritualista - Ou a inteligência voltada para questionamentos filosóficos e religiosos, que é sem dúvida um dos elementos mais presentes e atuais. São pessoas que tem o potencial de situar-se em relação a elementos da condição humana como os significados da vida, o sentido da morte, o destino final dos mundos físico e psicológico. Entre estas pessoas se destacam místicos, líderes religiosos, pessoas que meditam.

Inteligência Pictográfica - Observada em pessoas que conseguem se expressar pela pintura, desenho, escultura ou imagens gráficas. Desenvolvido em pessoas especiais, que possuem alguma deficiência, tais como deficiência mental, deficiência de coordenação motora.

Inteligência Emocional - Está relacionada à capacidade de conter os impulsos, ter controle das próprias emoções (inteligência intrapessoal) e saber se relacionar bem com as outras pessoas (inteligência interpessoal). Em suma, trata-se da união das inteligências intrapessoais e interpessoais.

Queridos, não permitamos, literalmente, destruir o poder criador que há, em cada aluno-semente que, passa em nossas poderosas mãos de professores. Saibamos entender a imperfeição de nossos educandos, estimulando sempre o que eles tem de melhor. Que sempre nos seja dado o poder de percebermos a profissão fantástica que temos. Quantos conflitos, quanta insegurança, quantos medos, quanta falta de carinho, de amor, de afeto... quantos sonhos estão presentes em nossas salas de aula e muitos de nós ainda, preocupados com metodologias, técnicas, conceitos, fórmulas???

Como diz o amigo Rui Pamela: ‘Pausa para reflexão’

Vale a reflexão... Paz Sempre...